Pobre viúva
Uma viúva recentemente atacada de forma violenta em Itabuna anda com medo de ter mais uma vez as suas parcas economias subtraídas. Os larápios já avisaram que têm data marcada para voltar.
Em 2008.
O DNA DA VERDADE
Uma viúva recentemente atacada de forma violenta em Itabuna anda com medo de ter mais uma vez as suas parcas economias subtraídas. Os larápios já avisaram que têm data marcada para voltar.
Em 2008.
O título é de deixar qualquer itabunense boquiaberto, mas não estranhe. Essa brincadeira tem a ver com a campanha de Alckmin que, como todos sabem, usa o primeiro nome do candidato por ser de assimilação mais fácil. O problema é que Fernando Gomes, coordenador da campanha tucana no sul da Bahia, odeia o nome "Geraldo".
Fernando já teria reclamado de algumas peças de campanha do candidato, principalmente um jingle interpregado por Dominguinhos. A música fala que Geraldo é bom, é porreta e "quem conhece sabe". E pede ao eleitor: "Aperte a mão do Geraldo, minha gente". Para o prefeito de Itabuna, é demais.
Para o prefeito do Rio de Janeiro, especializado em pesquisa, Lula conseguiu aproveitar bem as oportunidades oferecidas nesta semana de arrancada para o segundo turno. Diz ele:
"ESTRATÉGIAS PARA O SEGUNDO TURNO : LULA TOMOU INICIATIVA !
1. Esse Ex-Blog tem repetido que em uma eleição em dois turnos com candidato à reeleição, cabe ao candidato da oposição, desconstruir através de sua comunicação, o hipotético segundo governo. Calderón, que Lula recebeu ontem, fez isso com maestria contra o favorito Lopes Obrador. No primeiro turno a comunicação de Geraldo se negou a atuar assim. Bem feito. Agora é a campanha de Lula que tenta desconstruir um governo do Geraldo: -vai demitir servidores, vai privatizar o Banco do Brasil e a Petrobrás, vai isso e aquilo,... Resultado: ao tomar a iniciativa de desconstrução do governo Geraldo, cria a vacina para quando a campanha de Geraldo for,( se for), desconstruir um segundo governo Lula.
2. A primeira semana da campanha de Geraldo foi jogada fora: literalmente. Na segunda-feira Geraldo deveria ter pegado um avião e ido tomar café no centro de Recife, em seguida em João Pessoa, em Fortaleza, em Natal,..Deveria deixar os conchavos com políticos possíveis apoiadores para o presidente de seu partido e o senador coordenador da campanha. Deveria ter saído destas fotos num primeiro momento. E só entraria -depois- nas fotos boas. O que fez? Foi para cima de dois vulcões: Rio e Bahia. Quem o aconselhou tem que ser enviado como voluntário para o Iraque."
Imagens da semana 
A mídia nacional parece carregar aquela vontade "nas mãos" quando o assunto é "sentar o pau" no Painho da Bahia, Toinho Malvadeza, Cabeça Branca. Na seção Almanaque Eleições 2006, observe só o texto reservado pela Época ao senador Antônio Carlos Magalhães, em edição que circula neste final de semana:
O tombo do Painho
A maior surpresa da eleição veio da Bahia. O governador Paulo Souto (PFL) perdeu a reeleição no primeiro turno para o petista Jaques Wagner, que obteve 53% dos votos válidos. O resultado contrariou todas as pesquisas, que apontavam Paulo Souto eleito com ampla maioria no primeiro turno. A imagem da derrota, porém, não foi a de Paulo Souto. Foi a de seu padrinho político, o senador Antonio Carlos Magalhães. Pela primeira vez em 16 anos, seu grupo perdeu o governo da Bahia, para o PT de Lula. ACM e Lula passaram o ano trocando acusações. O senador acusa o presidente de comandar uma quadrilha que está roubando o país. Do outro lado, Lula chamou ACM de "hamster do Nordeste". Na eleição presidencial, Lula teve 66,78% dos votos da Bahia, contra 25,78% de Alckmin, candidato apoiado por ACM.
Misael Neto (PFL) é o deputado mais jovem da Assembléia Legislativa Baiana. Chega ao parlamento estadual aos 24 anos. As estatísticas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) revelam que a média de idade dos deputados eleitos para a próxima legislatura naquela Casa atinge os 48 anos. É a geração sukita de deputados. O mais velho da Assembléia é o deputado Jurandy Oliveira, do PRTB, 69 anos.
Um levantamento publicado na internet aponta que 65% dos eleitos ou reeleitos têm o curso superior completo, o que representa 41 deputados estaduais. Enquanto cinco (8%) estão no caminho para o diploma universitário, 12 (19%) têm o ensino médio completo e um (2%) incompleto. Já os que concluíram o ensino fundamental são quatro e representam 6% dos eleitos.
Se a média de idade entre os estaduais é de 48 anos, para a Câmara Federal essa média sobe e atinge 54 anos. O deputado mais idoso que novamente representará a Bahia em Brasília será o deputado federal Félix Mendonça. O mais jovem é o campeão de votos no estado, ACM Neto, de 27 anos. Esse cara não envelhece?
Quanto ao nível de escolaridade dos baianos eleitos para Câmara dos Deputados, ele é elevado: 87% têm o curso superior completo, e dois o incompleto (5%). Apenas dois (5%) têm o ensino médio completo e um (3%) ainda incompleto.
"Nada menos que 21 candidatos a deputado estadual que, Brasil afora, concorreram nas eleições do dia 1º obtiveram apenas um voto. Provavelmente o seu próprio. Outros dezoito candidatos ao mesmo cargo tiveram um apoio pouco maior: dois votos cada um. Talvez o do candidato e o de sua mulher. Com três votos cada um ficaram 22 candidatos." Coluna Radar, Veja 11/10.
A revista Veja deste final de semana traz o presidenciável Geraldo Alckmin na capa. Trata o candidato tucano como "fenômeno" das urnas. Este blog discorda! Enxerga na matéria apenas uma propaganda subliminar de "Chuchu". Se ele chegou ao segundo turno, foi exclusivamente por obra e graça do adversário. No caso, os "aloprados" amigos do atual presidente, Luís Inácio Lula da Silva, que apareceram com o mal-ajambrado Dossiê Tabajara. O contrário fosse, estaríamos aqui discutindo o sexo dos anjos, a "concertação" do Brasil e o segundo mandato de Lula. Resumindo: a fatura estaria liqüidada. Quer apontar fenônemo? Por que não mostra Aécio Neves, o homem que abocanou 77,3% dos votos na eleição a governador mineiro?
A propósito: "fenômeno" é o título dado na edição on-line da Revista (www.veja.com.br).
"SE NÃO TIVERMOS UM PRESIDENTE COMPROMETIDO COM A CAUSA MUNICIPALISTA, EM BREVE SÓ TEREMOS RECURSOS PARA PAGAR OS SALÁRIOS E VARRER RUAS", declarou o prefeito Fernando Gomes e novo coordenador regional da campanha de Geraldo Alckmin.
Sugestão nossa: prefeito, se o problema for falta de vassoura... é só chamar Geraldo Simões!
"A primeira pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a disputa pela Presidência do Brasil no segundo turno mostra que o atual presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, tem 50% das intenções de voto. Seu adversário, Geraldo Alckmin, do PSDB, conta com 43% das preferências. Se a eleição fosse hoje, 3% dos eleitores brasileiros votariam em branco ou anulariam o voto; 4% se dizem indecisos.
Entre os eleitores que declaram ter votado na candidata do PSOL, Heloísa Helena, para presidente no primeiro turno, 48% dizem que pretendem votar em Geraldo Alckmin na segunda votação que ocorre no próximo dia 29 de outubro. Lula é o candidato de 32% dos eleitores da candidata do PSOL, que declarou não apoiar nenhum dos dois candidatos na segunda votação para a Presidência. Os eleitores de Cristovam Buarque, do PDT, se dividem: 39% dizem que vão votar no candidato petista à reeleição e percentual idêntico afirma que vai votar no candidato tucano.
Considerando apenas os votos válidos, ou seja, excluídos votos nulos, em branco e os eleitores que se declaram indecisos, Lula tem 54% e Alckmin 46%.
O Datafolha ouviu 5811 eleitores, nos dias 5 e 6 de setembro de 2006, em 368 municípios. A margem de erro máxima, para o total da amostra, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Lula atinge 57% das intenções de voto (sete pontos acima da média) entre os eleitores que têm até o ensino fundamental, ficando 21 pontos percentuais à frente de Alckmin, que obtém 36% nesse estrato. Os eleitores que têm escolaridade média se dividem: 48% têm intenção de votar no candidato do PSDB à Presidência e 45% afirmam que vão votar no candidato do PT à reeleição. A maioria (56%) dos eleitores com escolaridade superior prefere o tucano; Lula tem 35% dos votos entre os mais escolarizados.
O candidato petista lidera com folga entre os eleitores com renda familiar mensal até dois salários mínimos: nesse segmento, ele tem 59% das intenções de voto, 25 pontos a mais do que Alckmin (34%). À medida que aumenta a renda do eleitor, no entanto, o placar fica mais favorável para o candidato peessedebista: 49% a 45% entre os que têm renda entre dois e cinco salários mínimos, 51% a 41% entre os que têm rendimentos entre cinco e dez salários e 69% a 24% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, uma diferença de 45 pontos a favor do tucano.
Entre os eleitores do Nordeste, Lula tem 67% das intenções de voto, 39 pontos à frente de Geraldo Alckmin, que obtém 28%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste o resultado é similar ao verificado entre o total de brasileiros: 50% pretendem votar pela reeleição do atual presidente e 44% no candidato do PSDB. No Sul, Alckmin fica 24 pontos à frente de Lula (57% a 33%) e no Sudeste ocorre empate (47% para o peessedebista, 45% o petista)."
Do Datafolha
Não bastasse a oscilação negativa de um ponto na pesquisa Datafolha desta sexta, Alckmin recebeu, junto com o levantamento, outra péssima notícia: a avaliação positiva do governo Lula melhorou dois pontos percentuais. Saltou de 47% para 49%. A batalha para o tucano será árdua se quiser vencer a disputa. Terá que contar com o improvável. Ou com os "aloprados" do PT.
No site do presidenciável Geraldo Alckmin está dito que o candidato "mantém crescimento das intenções de voto". A constatação é feita usando números das urnas e da pesquisa Datafolha/Jornal Nacional divulgada agora há pouco. A pesquisa mostra o contrário, na verdade. O Datafolha revela que na última pesquisa o tucano tinha 44% das intenções de voto, caindo agora para 43%. Já Lula, oscilou positivamente. Foi de 49% para 50%. Se contabilizarmos apenas os votos válidos (excluindo brancos e nulos), dá 54% para o petista e 46% para Alckmin.
Parece que a pesquisa levou desespero à cúpula tucana. Mas não precisa tanto. Teremos mais 22 dias até a eleição. É só torcer para que mais um petista faça besteira (como a do Dossiê) e a vitória estará assegurada. Só não precisa distorcer os números. Assim fica feio, Alckmin. Aliás, o que observamos nos últimos dias é justamente a melhora de disposição e de ânimo do tucano - mas a sua assessoria joga contra e atrapalha qualquer pretensão de crescimento/vitória.
Abaixo, a íntegra da nota que está no site de Geraldo, comentando a pesquisa e a tal subida de intenções de votos. Mascarar a realidade não leva a lugar algum:
Geraldo mantém crescimento nas intenções de voto
Primeira pesquisa Datafolha do segundo turno
mostra que eleitorado do tucano aumenta a cada dia
Pesquisa nacional do Datafolha no segundo turno, divulgada na noite desta sexta-feira (6/10), no Jornal Nacional, mostra que a evolução de Geraldo se mantém forte. O candidato tucano tem 46% das intenções de voto. A pesquisa foi feita entre os dias 5 e 6 de outubro, ou seja, quatro e cinco dias depois da votação do primeiro turno. Neste período, Geraldo subiu de 41,64% (resultado oficial do TSE, levando-se em conta os votos válidos) para 46%. Uma evolução de quase cinco pontos percentuais. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos para cima ou para baixo. Foram ouvidos 5.811 eleitores em 368 municípios.
O presidenciável Geraldo Alckmin, decididamente, precisa rever as parcerias e os apoios somados nos últimos dias. Depois de Garotinho, Ivo Cassol e Roberto Jefferson, o prefeito Fernando Gomes resolveu arregaçar as mangas. Assumiu a coordenação regional da campanha do candidato tucano em toda a região. Mandou cartinhas para os prefeitos e espera "levar Alckmin à vitória". Fernando tem, digamos, uma ficha tão bonita quanto às de Garotinho e Ivo Cassol. Ah, não podemos esquecer Roberto Jefferson.
Eles (todos) se merecem.
A pesquisa divulgada, agora, pelo Jornal Nacional:
Lula - 50%
Alckmin - 43%
Indecisos - 4%
Brancos e Nulos - 3%
Votos Válidos
Lula - 54%
Alckmin - 46%
Governo Lula - avaliação
Ótimo/bom - 49%
Regular - 33%
Ruim/péssimo - 17%
5.811 pessoas ouvidas
"Ainda em Juazeiro da Bahia, onde se encontra, Lula recebeu há pouco o que lhe disseram que são os números da mais recente pesquisa nacional do Instituto Datafolha:
Lula - 50%
Alckmin - 43%
Indecisos - 4%
Brancos e nulos - 3%
Em votos válidos:
Lula - 54%
Alckmin - 46%
Margem de erro da pesquisa aplicada ontem e hoje: 2 pontos percentuais para mais ou para menos."
A conferir daqui a pouco no Jornal Nacional. Datafolha e Vox Populi deram resultados muito parecidos ao longo do primeiro turno. Variaram dentro da margem de erro.
"Resultado de pesquisa nacional do Instituto Vox Populi encomendada por um cliente do setor privado e aplicada anteontem e ontem:
Lula - 51% das intenções de voto;
Alckmin - 41%
Foram entrevistados a domicílio dois mil eleitores. Margem de erro: dois pontos percentuais para mais ou para menos."
Mineiríssimo, o leitor que assina como Juca enviou comentário ao blog, demonstrando sua desconfiança quanto aos gestos do tucano Jutahy Magalhães. Transcrevemos a mensagem:
"São espertíssimos os tucanos. Essa história da carochinha de dizer que Alckmin e Wagner serão unha e carne não passa de estratégia para atrair para o tucano os baianos que pretendem votar em Lula para ter no Planalto um correligionário do governador. Isso não existe, companheiros. É armação pura!!"
Não é sem razão que a pulga passeia atrás da orelha do nosso leitor. Apesar de até Moncorvo saber que o PSDB da Bahia comemorou a vitória petista, essa conversa de boa relação com Wagner está pra lá de Bagdá.
Uma coisa é derrotar o carlismo, e isso todos os oposicionistas da Bahia festejam juntos. Outra é a política nacional, onde PSDB e PT são bem parecidos nas práticas, mas lutam pela mesma fatia de poder. E a física ensina que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço.
Esse casamento de cobra com jacaré proposto por Jutahy só pode dar certo no jogo do bicho. É óbvio que Alckmin presidente iria impor algumas dificuldades ao petista Wagner, enquanto Lula teria para o governador portas eternamente abertas. Wagner é hoje homem forte no partido, ainda mais depois de rejeitar o malfadado dossiê, que acabou com os petistas de São Paulo e levou a eleição presidencial ao segundo turno.
Jutahy comemorou a vitória de Wagner, mas agora o que ele deseja é um governo baiano sem tanta desenvoltura. Depois da festa, tudo indica que os baianos do PT e do PSDB voltarão a se lembrar de que, além de conterrâneos que derrotaram o inimigo comum, são também petistas e tucanos. Em outras palavras, inimigos.
Passada a refrega eleitoral, há de se lembrar dos que navegaram contra a maré e rebateram versões apresentadas com o falso status de fatos. Em Itabuna, um mago das pesquisas chamado Agenor Gaspareto era, desde muito antes da abertura das urnas, talvez um dos pouquíssimos mortais que tinham a certeza da vitória de Wagner no primeiro turno. Difícil de acreditar, mas é a pura verdade.
Gaspareto encontrou-se por acaso com dois jornalistas, no domingo pela manhã, e sentenciou: Jaques Wagner vence a eleição no primeiro turno. Claro que ninguém acreditou, pois o que apontava a última pesquisa, feita pelo Ibope, era no máximo a possibilidade da disputa ser levada ao segundo turno.
Não foi a primeira vez que o dono da Sócio-Estatística previu que ia dar praia quando a meteorologia indicava tempestade. Em 1992, Gaspareto também foi o primeiro a dizer que a "zebra" Geraldo Simões venceria, quando todos esperavam vitória de José Oduque (aquele que prometeu trazer o mar para Itabuna) ou Ubaldo Dantas. E olha que o petista começou aquela campanha com míseros 2% e terminou consagrado pelas urnas.
Mais uma vez, o Nostradamus grapiúna acertou de forma impressionante. Uma das falhas que ele teria observado nas pesquisas foi o fato de ter deixado de fora regiões e/ou importantes municípios baianos - que exercem grande peso numa eleição. Imagina só deixar de fora de uma pesquisa municípios como Itabuna, Vitória da Conquista ou alguma cidade do Extremo-Sul. Deu no que deu!
Ademais, todos sabem das ligações do Ibope e do Instituto Campus com o grupo que governa a Bahia até o dia 31 de dezembro. Não queremos aqui dizer que os institutos agiram de má-fé. Claro que não! Entretanto, não é a primeira vez que as pesquisas erraram em nosso estado. Interessante é constatar que quando erram, erram sempre a favor do contratatante. Como diria o ex-presidente FFHH, assim não pode, assim não dá!
Mas voltemos ao resultado das urnas e a sua antecipação por Gasparetto. O dono da Sócio-Estatística identificou que municípios importantes não faziam parte do levantamento do Ibope e do Campus. Sabia também, pelos trabalhos feitos em diversas regiões do Estado, que os números do Ibope no sábado, quando assinalou 51% para Paulo Souto e 41% para Wagner, não batiam com a realidade.
Bastou a boca-de-urna do Ibope ser "aberta" para ficar ainda mais evidente que Gasparetto acertara em sua previsão. Feita no dia da eleição (como o próprio nome já diz) esse último levantamento do Ibope mostrava Wagner na frente, com 49%, e Souto, com 43%. Agora, esperamos a chance de brindar o nobre leitor com o artigo do sociólogo explicando o que achou dessas eleições e - claro! - dos erros dos institutos. O espaço já está aberto.
Passada quase uma semana do primeiro turno da eleição, este blog volta para conferir o último mailing enviado aos seus fiéis leitores. Nele, nós fizemos um pequeno resumo - como sempre fazemos - das notícias postadas e que antecipavam comportamentos do eleitor e os resultados das urnas. Ficamos felizes em constatar que, realmente, nosso DNA é o da verdade. Confira, abaixo, os destaques do mailing enviado na noite de sábado:
18 mil candidatos disputam
o voto do eleitor brasileiro
Souto cai, Wagner cresce e
Bahia deve ter segundo turno
Agência Estado diz que pesquisa
abalou comando do PFL da Bahia
Lula, em queda, pode ter
que enfrentar novo turno
Estado de saúde de assessor
de ACM Neto é crítico
Para Ibope, PT e PMDB continuarão
como as maiores bancadas do Congresso
Como se percebe, quase todos os prognósticos se confirmaram. Apenas erramos quanto à previsão de segundo turno na eleição a governador da Bahia. Não deu seugndo turno e a fatura foi liquidada no primeiro mesmo, mas com o candidato petista Jaques Wagner vencendo o pleito, ante o carlista Paulo Souto.
Não brigamos com a notícia, nem ficamos aqui a fazer ilações como a de que "eleitor queria pregar susto em Souto ao votar em Wagner". Nosso fim é a verdade, devidamente exposta ao leitor!
Luiz Conceição*
Os sites das principais agências de notícias trazem, nesta sexta-feira, 6, a informação de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vê risco tanto para o presidente Lula, candidato à reeleição, quanto para o seu oponente, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nos debates televisivos previstos para antes do dia 29, data reservada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o segundo turno.
A seu ver, o primeiro pode dizer coisas que não são corretas, já que confundiria dados pela ânsia de comparar a atual gestão com a sua. O segundo, correria risco por não ser incisivo e, em dado momento da discussão, se outro ultrapassar os limites, teria que pará-lo, ser firme. Ora, como diria aquele radialista: “Me bata uma garapa de limão balão...”
Por estar distante da disputa eleitoral, entre PT e PSDB, Fernando Henrique Cardoso faria um bom gesto se ficasse calado. Primeiro, pela deselegância com o presidente. Depois, por expor seu correligionário de partido considerando-o fraco, insosso, insípido, ou “picolé de chuchu”. Além disso, ninguém deseja ouvir sua choradeira à falta de holofotes.
Na mesma notícia, no site da BBC Brasil, o ex-presidente se diz favorável à reeleição, mas aconselha a que se altere o sistema, para aperfeiçoá-lo. Mas nada acrescenta ao que se discute em meios acadêmicos, entre políticos e pessoas do povo que desejam ver o sistema eleitoral e a democracia imunes a riscos.
Mas o melhor veio no final da notícia: FHC critica a proposta de concertação feita pelo ministro Tarso Genro, que há dias revelou o desejo do presidente Lula de reunir os ex-presidentes da República para uma conversa política em favor do Brasil. Para FFHH, que não teria demonstrado empolgação, isso deveria acontecer se em jogo estivesse o interesse nacional.
Mas, já que não há crise institucional no País, não vai haver. Para ele, tais idéias surgiriam apenas nos momentos de dificuldades. E questiona: “Por que não foi feito isso em 2003, depois da transição democrática tão suave que nós fizemos? Agora é tarde”, encerrou.
Além de ter pedido para que não se recordasse o que escreveu ao longo de sua carreira acadêmica e política, FFHH parece que também deseja que não se leia, ouça ou veja o que diz. Com sua avançada idade, o ex-presidente não deve ter lido o artigo “As Premissas da Concertação”, publicado em 29 de setembro de 2003 pelo agora ministro das Relações Internacionais Tarso Genro, com repercussões na imprensa nacional.
Estará FHC gagá ou tentando fazer figuração em uma arena aonde não foi novamente chamado?
*Repórter
O petista Josias Gomes abriu negociações para integrar o secretariado do governador eleito Jaques Wagner. Atualmente exercendo mandato de deputado federal e rejeitado nas urnas, Josias quer ser o titular da Pasta da Agricultura. Para tanto, mobiliza presidentes de sindicatos rurais por toda a Bahia, principalmente na região cacaueira. Josias ficou conhecido no Congresso por sua proximidade com a multinacional Monsanto e envolvimento no mensalão.
Do Valor Econômico
O PSDB baiano tenta aproximar o candidato do partido à Presidência, Geraldo Alckmin, do governador eleito do Estado, Jaques Wagner (PT). Ainda que uma aliança seja inviável, já que Wagner é agora um dos coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, os tucanos da Bahia deram ontem sinais de que, ao menos, buscam dissipar a idéia de que a vitória de Alckmin seria desastrosa para o governo de Wagner.
O líder do PSDB na Câmara dos Deputados e presidente do partido na Bahia, Jutahy Magalhães, declarou, diante de Alckmin, que votou em Jaques Wagner e se disse "muito feliz" com a vitória do petista. Em seguida, pediu ao candidato que ganhe a disputa nacional e, se eleito, que atenda "de forma decisiva todos os pleitos" do futuro governador.
"Vamos ajudar da mesma maneira que ajudamos o João Henrique (Carneiro, prefeito pedetista de Salvador, que tem o PSDB em sua base de sustentação)", disse o deputado. "Se aqui na Bahia passar a idéia de que sua vitória é a tábua de salvação do carlismo, sua derrota será imensa".
"A moeda de troca de ACM (pela derrota) não será pelo Paulo Souto ou pelo PFL, e sim impedir um bom governo de Jaques Wagner. Sei que a figura ética de Alckmin não atenderá a isso", afirmou Jutahy. Depois, Alckmin contemporizou. "Eu sou parceiro do governado eleito, parceiro dos prefeitos baianos e, acima de tudo, parceiro de todo o povo baiano".
As declarações foram feitas no encontro da cúpula do PSDB da Bahia, agendado de última hora. A poucos quilômetros dali, todo o comando do PFL do Estado aguardava Alckmin para um encontro que foi realizado sem a participação da imprensa. "O Lula perseguiu o (governador) Paulo Souto. Ele teve aqui uma votação consagradora em 2002 e não devolveu essa confiança ao povo", disse o tucano.
Em parte, o afago do PSDB baiano em Wagner é explicado pela tentativa de Alckmin de reverter o resultado do primeiro turno. No Estado, um dos principais colégios eleitorais do país, Lula o derrotou por 66,7% a 25,7% dos votos válidos. Deve-se também a uma disputa regional: os tucanos baianos são adversários declarados do grupo pefelista liderado pelo senador Antonio Carlos Magalhães. "Seria estranho se eu votasse em Paulo Souto. Eu não voto no carlismo desde 1986", afirmou Jutahy.
Alckmin negou-se a falar sobre o polêmico apoio do casal Anthony e Rosinha Garotinho à sua candidatura. Sobre o debate na TV Bandeirantes no próximo domingo, afirmou que Lula "fugiu de todos os debates e agora só vai participar porque vai perder a eleição e está com medo". Em seguida, reafirmou o "compromisso" de governar "com a Bahia, pela Bahia e para a Bahia".
Com disputas eleitorais à parte, o governador Paulo Souto recebeu ontem, pela primeira vez, Jaques Wagner para acertar o processo de transição. Ambos trataram da formação de uma equipe para chefiar o processo e de matérias que vão entrar em votação na Assembléia Legislativa, como o orçamento para o próximo ano. No dia seguinte ao de sua vitória, Wagner afirmou que a transição só seria atrapalhada se Souto "se deixasse influenciar por outros pessoas", em clara alusão a ACM.
Passada a refrega eleitoral, há de se lembrar dos que navegaram contra a maré e rebateram versões apresentadas com o falso status de fatos. Em Itabuna, um mago das pesquisas chamado Agenor Gaspareto era, desde muito antes da abertura das urnas, talvez um dos pouquíssimos mortais que tinham a certeza da vitória de Wagner no primeiro turno. Difícil de acreditar, mas é a pura verdade.
Gaspareto encontrou-se por acaso com dois jornalistas, no domingo pela manhã, e sentenciou: Jaques Wagner vence a eleição no primeiro turno. Claro que ninguém acreditou, pois o que apontava a última pesquisa, feita pelo Ibope, era no máximo a possibilidade da disputa ser levada ao segundo turno.
Não foi a primeira vez que o dono da Sócio Estatística previu que ia dar praia quando a meteorologia indicava tempestade. Em 1992, Gaspareto também foi o primeiro a dizer que a "zebra" Geraldo Simões venceria, quando todos esperavam vitória de José Oduque (aquele que prometeu trazer o mar para Itabuna) ou Ubaldo Dantas. E olha que o petista começou aquela campanha com míseros 2% e terminou consagrado pelas urnas.
Mais uma vez, o Nostradamus grapiúna acertou de forma impressionante. Uma das falhas que ele teria observado nas pesquisas foi o fato de ter deixado de fora regiões e/ou importantes municípios baianos - que exercem grande peso numa eleição. Imagina só deixar de fora de uma pesquisa municípios como Itabuna, Vitória da Conquista ou alguma cidade do Extremo-Sul? Deu no que deu!
Ademais, todos sabem das ligações do Ibope e do Instituto Campus com o grupo que governa a Bahia até o dia 31 de dezembro. Não queremos aqui dizer que os institutos agiram de má-fé. Claro que não! Entretanto, não é a primeira vez que as pesquisas erraram em nosso estado. Interessante é constatar que quando erram, erram sempre a favor do contratatante. Como diria o ex-presidente FFHH, Assim não pode, assim não dá!
Mas voltemos ao resultado das urnas e a sua antecipação por Gasparetto. O dono da Sócio-Estatística identificou que municípios importantes não faziam parte do levantamento do Ibope e do Campus. Sabia também, pelos trabalhos feitos em diversas regiões do Estado, que os números do Ibope no sábado, quando assinalou 51% para Paulo Souto e 41% para Wagner, não batiam com a realidade.
Bastou a boca-de-urna do Ibope ser "aberta" para ficar ainda mais evidente que Gasparetto acertara em sua previsão. Feita no dia da eleição (como o próprio nome já diz) esse último levantamento do Ibope mostrava Wagner na frente, com 49%, e Souto, com 43%. Agora, esperamos a chance de brindar o nobre leitor com o artigo do sociólogo explicando o que achou dessas eleições e - claro! - dos erros dos institutos. O espaço já está aberto.
Lula deixou de ser eleito no primeiro turno por 1.336.002 votos – 1,4% do total de votos válidos. Para vencer no segundo turno, Alckmin terá de reescrever a história das eleições entre nós.
Examine-se os resultados das eleições de presidente e de governador de 1989 para cá. E os resultados das eleições de prefeitos de capitais de 1996 para cá.
Fica de fora a eleição de prefeitos de capitais em 1992 porque o Tribunal Superior Eleitoral não dispõe dos resultados de forma organizada.
No total, foram 102 eleições decididas em em segundo turno.
Primeira observação: em apenas 23 delas, o candidato que ficou atrás no primeiro turno virou a eleição e ganhou.
Segunda observação: todos os candidatos que disputaram o segundo turno tiveram mais votos do que no primeiro. Com a exceção de um: Amílcar Martins, candidato do PSDB a prefeito de Belo Horizonte em 1996. Em números redondos, ele colecionou 220 mil votos no primeiro turno e 170 mil no segundo. Perdeu para Célio de Castro do PSB.
É razoável, pois, que Lula e Alckmin conservem o mesmo número de votos que atraíram no primeiro turno e acrescentem mais alguns milhões. Lula teve 46.662.365 votos. Alckmin, 39.968.369. Uma diferença de 6.693.998 votos.
Terceira observação: o índice de alienação de votos na eleição de domingo último (abstenção + nulos + brancos) foi de 23,8%, o mais baixo desde 1989. A eleição daquele ano foi atípica, a primeira depois de 21 anos de ditadura militar.
A média nacional de abstenção dessa vez foi de 16,75%. A do Nordeste, onde Lula venceu Alckmin por uma diferença de 10 milhões de votos, 18,54%.
Se no segundo turno diminuir a abstenção no Nordeste, também é razoável pensar que Lula se beneficiará mais do que Alckmin. O mesmo poderá ocorrer com o voto que o eleitor anulou por erro.
Foi de 7,8% o índice de votos nulos no Nordeste. Ali, pouco mais de 40% das pessoas acima de 15 anos de idade são consideradas analfabetas funcionais. No Sul, cujo número de analfabetos funcionais não chega a 20%, o índice de votos nulos foi apenas de 4,1%.
Quarta observação: os demais candidatos a presidente obtiveram no primeiro turno 9.365.999 votos. Se Lula conquistar apenas 14,4% desses votos estará eleito. Alckmin precisará conquistar 85,74% para se eleger – ou seja: 8.029.999 –, sem que Lula amealhe um voto a mais.
Quinta observação: Heloísa Helena foi votada por 6.570 mil eleitores. Se um terço desses eleitores (1.972 mil) se abstiver de votar no segundo turno ou votar em branco e nulo, Lula derrotará Alckmin. Mesmo que Alckmin ganhe o resto dos votos de Heloísa e dos outros candidatos que concorreram no primeiro turno. E, naturalmente, desde que Lula repita a votação do primeiro turno.
Conclusão: a tarefa que Alckmin tem pela frente é extraordinária. Mas a História está repleta de fatos assim.
De resto, não se deve subestimar o PT. Ele poderá armar novas trapalhadas para derrotar Lula. Ou Lula poderá ser vítima de suas próprias trapalhadas.
VOLTAM AS PESQUISAS - DATA-FOLHA HOJE À NOITE!
1. As pesquisas são apresentadas durante a campanha incluindo os "não-voto". No dia da eleição surgem na TV os votos válidos, o que confunde o eleitor que pensa que os desvios foram maiores do que eventualmente foram. Dessa forma esse Ex-Blog vai usar os números incluindo o não-voto na base e arredondando os valores, abandonando as virgulas,( a soma pode não dar 100%).
2. Lula venceu com 44% dos votos. Alckmin 37%. Os Demais 8%,( basicamente HH e Cristovam -CB). E não-voto 10%. Supondo que a razão de marcar branco e nulo se repita. Logo a diferença entre os dois é praticamente igual aos demais. Ou seja: raciocinando horizontalmente Alckmin teria que conseguir transferir 100% dos votos de HH/CB para ele. Tarefa improvável.
3. No entanto a experiência de outras eleições mostra que dos que marcaram seus votos nos que foram para o segundo turno, 10% são voláteis. Os votos consolidados seriam: Lula 40% e Alckmin 33%, com 8% de eleitores que flutuariam. Sendo assim o universo de eleitores disponíveis para Alckmin, seriam o dobro da diferença: 8% + 8%,( HH+CB). Para vencer Alckmin teria que conquistar 75% dos votos disponiveis. Tarefa outra vez improvável.
4. Portanto só há uma maneira de Alckmin vencer que é ir além dos voláteis e avançar nos eleitores de Lula. Ou seja: realizar uma campanha agressiva para desconstituir Lula e capturar seus eleitores -de antes- firmes, e transferi-los.
5. Para comparar com as pesquisas que começam, distribuamos o resultado da eleição de 1/10, por região, apenas excluindo o não-voto. Norte: Lula 51%, Alckmin 33%. Demais 7%. / Centro-Oeste: Lula 34%. Alckmin 46%. Demais 9%./ Nordeste: Lula 60%. Alckmin 23%. Demais 6%. / Sudeste Lula 39%. Alckmin 40%. Demais 10%./ E Sul, Lula 31%, Alckmin 50% e Demais 9%.
6. Supondo que os eleitores de HH/CB sejam críticos e céticos, a decisão final destes exigirá que Alckmin vá além de uma posição de centro. Sua comunicação teria que fazer concessões à esquerda.
7. Trocando em miúdos, Alckmin -numa hipótese realista- poderia dividir com Lula estes eleitores. Mas teria que transferir todos os eleitores voláteis de Lula para si.
8. Aguarda-se a entrada da TV dia 12 e a temperatura com que o programa de Alckmin será oferecido ao eleitor para avaliar.

O governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, ganhou pontos adicionais com Lula, depois de rejeitar uma proposta do empresário Luiz Antônio Vedoin. O dono da Planan, que ofereceu o dossiê contra o tucano José Serra, também queria vender documentos que comprometiam o grupo de ACM.
A principal prova para atingir o Cabeça Branca era um cheque nominal ao vereador Paulo Magalhães Júnior, filho do deputado que é sobrinho de ACM. Paulo Magalhães, o pai, chegou a ser citado como um dos sanguessugas, mas depois Vedoin livrou a cara dele.
Pois bem. A tal versão baiana do dossiê, um acarajé apimentado, só não entrou na campanha porque Wagner brecou a estratégia. Fez exatamente o contrário do paulista Ricardo Berzoini que, por esse motivo, passou para a lista dos ex-amigos de Lula.
Wagner, por outro lado, ficou mais do que nunca bem na fita.
"O dia do candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, foi dedicado a receber apoios e apagar incêndios. O apoio declarado a ele na terça pelo casal Garotinho fez com que dois aliados desembarcassem da campanha.
Logo pela manhã, o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, do PFL, e a candidata ao governo fluminense pelo PPS, Denise Frossard, afirmaram não ter gostado nada da aliança do tucano.
"O Alckmin não gosta do Rio. Definitivamente, ele não gosta do Rio. Constatei isso ontem [terça]. Retiro meu apoio a ele e ele não está autorizado a usar minha imagem. Eu vou anular o voto", disse Frossard.
"Não dá pra andar na rua com Rosinha e Garotinho no Rio de Janeiro. Vai se receber vaia. E se tiver tomate, que se use capacete. Nós não vamos deixar de votar no Alckmin, mas nós vamos cuidar da campanha da Denise Frossard e o PSDB cuida da campanha do Alckmin. Fica dividido assim o trabalho", disse Maia." Do Uol News
Um dos dois únicos candidaots da região eleitos para a Assembléia Legislativa, o Capitão Fábio, deverá apoiar a candidatura à reeleição do presidente Lula. Pelo menos foi o que deixou transparecer em entrevista dada a uma emissora de Itabuna, hoje. A posição oficial, no entanto, se tornará pública amanhã. Dependia ainda de reunião com membros do seu partido, o PRP, marcada para o final da tarde desta quarta. Eleito com 33.875, dos quais 14.582 conquistados em Itabuna, o capitão faria uma boa diferença nessa disputa.
LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador
"Para conseguir encerrar os 16 anos de domínio do PFL na Bahia, o PT não contou apenas com os votos dos "grandes centros", onde tradicionalmente o partido é bem votado no Estado. Dados finais da eleição divulgados pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) da Bahia revelam que o governador eleito Jaques Wagner (PT) derrotou o governador Paulo Souto (PFL) em 229 (54,91%) dos 417 municípios do Estado.
"Invadimos os grotões do PFL, rachamos o partido e trouxemos para o nosso lado os descontentes com o sistema político vigente desde 90", disse Wagner, logo após a confirmação da sua vitória.
O ex-ministro do Trabalho e Relações Institucionais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva derrotou o seu opositor em oito das dez maiores cidades na Bahia: Salvador, Feira de Santana, Ilhéus, Barreiras, Juazeiro, Jequié, Camaçari e Alagoinhas.
Mesmo onde perdeu, Wagner foi bem votado --em Itabuna, a diferença pró-Souto foi inferior a 2.000 votos; em Vitória da Conquista, 3.166 votos separaram o governador eleito do pefelista.
Em Salvador, maior colégio eleitoral do Estado, Jaques Wagner impôs uma grande diferença a Souto --obteve 678.017 votos (56,71%), contra 408.221 votos dados a Paulo Souto (34,15%). "As oposições perderam muitas eleições na Bahia porque nunca se uniram. Neste ano foi diferente, fizemos um arco muito grande de alianças e sepultamos o carlismo", disse o deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB).
Os números divulgados pelo TRE demonstram que as pequenas cidades fizeram a diferença a favor de Wagner. Em 2002, quando Souto derrotou o ex-ministro, o petista também venceu em Salvador por cerca de 200 mil votos --a diferença a favor do pefelista foi recuperada em algumas grandes cidades e, principalmente, nos pequenos municípios.
"A estratégia adotada pelo PT de trazer para o nosso lado a 'banda B' do PFL foi fundamental", acrescentou o ministro Waldir Pires (Defesa). Desde que foi confirmado como candidato ao governo estadual, Jaques Wagner conversou com todos os candidatos a prefeito filiados ao PFL que perderam as últimas eleições. "Muitas vezes, estes candidatos foram derrotados por políticos do mesmo grupo e estavam descontentes com o tratamento recebido do partido."
Reeleito, o deputado José Carlos Aleluia (PFL) disse que a aliança feita pelo ex-ministro Jaques Wagner foi muito importante para a sua vitória. "Talvez, nós tenhamos subestimado estes acordos." Candidato a vice na chapa de Souto, o ex-ministro Eraldo Tinoco disse que o PFL vai dar a volta por cima em pouco tempo. "Vamos reestruturar o partido para voltarmos à hegemonia eleitoral no Estado."
Ana Cristina Oliveira
Cerca de 180 presos da Casa de Detenção de Itabuna, distante de Salvador 433 km, fizeram greve de fome e planejavam uma nova rebelião, em protesto contra a má qualidade da comida servida, a falta de água e a superlotação do presídio, construído para abrigar apenas 48 presos e que atualmente está com mais do triplo de sua capacidade.
Nesta quarta-feira, 4, dia de visita de familiares, o clima estava mais tenso, como um prenúncio de rebelião. Os presos fizeram um rebuliço, batendo nas grades para chamar a atenção. Eles pediam a presença de um juiz e um promotor de Justiça. A guarda policial observava de longe a movimentação dos presos e a revista dos familiares, que levavam muitas sacolas com alimentos e roupas. Do A Tarde.
...(O rato que não ruge mais)*
O presidente Lula pode estar envolvido numa batalha ferrenha e imprevisível contra Geraldo Alckmin no segundo turno das eleições presidenciais.Mas, uma guerra particular travada em território baiano ele já ganhou. E ganhou de maneira inquestionável, impondo ao adversário uma derrota vergonhosa, humilhante.
A vitória de Jacques Wagner sobre Paulo Souto na disputa pelo Governo da Bahia no primeiro turno, que o Brasil inteiro aponta como a grande surpresa das eleições, é sobretudo a vitória de Lula sobre ACM e o próprio Wagner foi o primeiro a reconhecer isso.
Nos últimos tempos, ACM especializou-se em espinafrar Lula. O confronto é aceitável num regime democrático, mas o velho senador superou qualquer limite de civilidade, ao partir para a baixaria, as agressões pessoais.
Uma metralhadora giratória contra Lula que, enquanto pode, ignorou as agressões, até porque de sua estatura de presidente não deveria perder tempo com um homem beirando a senilidade.
Se decidiu ignorar ACM em nível nacional, Lula decidiu entrar na guerra paroquial e se empenhou, como em nenhum outro Estado, pela eleição governamental. Colocou a vitória de Wagner como prioridade.
Confiante, o senador chegou a bravatear, respondendo que era invencível na Bahia, repetindo à exaustão que Paulo Souto já estava eleito. Bem a seu estilo, disse que Lula não iria eleger Wagner nem fazendo milagres.
A guerra particular atingiu tons mercuriais duas semanas antes da eleição quando, num comício em Feira de Santana, Lula comparou ACM a um hamster, espécie de ratinho inofensivo.
O recado foi claro: ACM sempre se julgou um leão, que rugia e amedrontava todo mundo. Um leão amamentado nas generosas tetas da Ditadura Militar, que cresceu acostumado às tetas de governos ditatoriais e pretensamente democráticos e que se especializou em sugar a maior das tetas, que considerou como sua propriedade particular: o Governo da Bahia.
Do leite sugado com volúpia de fera eternamente faminta , construiu um império econômico que talvez nem outro milagre, o da multiplicação dos pães, consegue explicar. Os tentáculos do carlismo estão em toda a parte da vida baiana, numa inacreditável mistura entre o público e o privado.
Um leão que se jactava se intimidar presidentes da República, mas que Lula reduziu a condição de um reles ratinho.
Um rato que rugia ainda imaginando ser o leão que um dia foi.
Lula, com o apoio inestimável apoio do povo baiano, derrotou ACM no seu próprio terreiro, mandou o hamsterzinho para o limbo e deu a Wagner a chance de sepultar de vez um sistema político que se arraigou no poder por quase duas décadas.
Essa é, entretanto, outra batalha a ser travada, um imenso desafio que surge, que vai dispender esforços, articulações e muito trabalho.
Na guerra particular travada entre ACM, o rato já não ruge mais.
Daniel Thame
O cantor baiano usou do jogo linguístico que lhe é peculiar, mas diz que um dia após o resultado do primeiro turno pensa em votar no presidente Lula neste segundo e decisivo turno da eleição presidencial. A declaração foi dada em entrevista ao blog do Jorge Bastos Moreno, do Jornal O Globo. Leia, abaixo:
- Por enquanto penso que vou votar em Lula e em Denise Frossard (para confirmar o que disse de mim um crítico, julgando que fosse depreciativo: que sou "de centro"). Mas é apenas o primeiro dia depois do primeiro turno. E eu pretendo realmente deixar para decidir depois de acompanhar as campanhas.

... OS VOTOS DO DEPUTADO ESTADUAL PEDRO (DENTADURA) EGÍDIO. O DR. DENTADURA PENSAVA EM SE ELEGER COM UM ESQUEMA DE CLÍNICAS ODONTOLÓGICAS DE FUNDO DE QUINTAL, INSTALADAS NA PERIFERIA DE SALVADOR.
ALÉM DE CRIME ELEITORAL, COMETEU DIVERSOS ATENTADOS Á SAÚDE PÚBLICA, O QUE ACABOU LEVANDO SUA MUTRETA A SER DESMASCARADA PELO JORNAL A TARDE.
NA ÚLTIMA SEXTA-FEIRA, FOI VISTO NA CHURRASCARIA LOS PAMPAS, CONTANDO VANTAGEM E ALARDEANDO QUE TERIA DE 35 A 40 MIL VOTOS. "MORREU" NA PRAIA, COM A BOCA ESCANCARADA E DEVENDO VÁRIAS DENTADURAS A ELEITORES INCAUTOS. NAS URNAS, NÃO PASSOU DE 13.534 VOTOS.

... OS VOTOS DO DEPUTADO, QUASE EX, REGINALDO GERMANO (EX-DE JESUS). LAVADO NO SANGUE DO SENHOR, O EX-POLICIAL E EX-BANDIDO DOS MORROS CARIOCAS, DESPONTOU NA POLÍTICA COMO PASTOR DA IGREJA UNIVERSAL. ACABOU A CARREIRA COMO UM DOS PARLAMENTARES SANGUESSUGAS, QUE DESVIARAM DINHEIRO PÚBLICO EM ESQUEMAS DE COMPRA DE AMBULÂNCIAS DA PLANAN.
NO ÚLTIMO DOMINGO, GERMANO CONTABILIZOU 2.090 VOTOS NAS URNAS. TEM SIDO VISTO EM UMA IGREJA NA AVENIDA ILHÉUS, CENTRO DE ITABUNA, ONDE TENTA ARREBANHAR FIÉIS E REFAZER A MÉDIA COM DEUS. DIZEM ATÉ QUE PENSA EM ADOTAR NOVAMENTE O SOBRENOME "DE JESUS", MAS ESTÁ AVALIANDO BEM A SITUAÇÃO, POIS TEM MEDO DO CASTIGO.
Claudio Leal*
A virada de Jaques Wagner (PT) nas urnas é um desses fenômenos eleitorais que a política baiana deixou de oferecer há duas décadas. Precisamente, desde que Waldir Pires conquistou o governo do Estado. Em 1986, a euforia precedia a eleição, tragava sentimentos românticos de um País que não se concretizaria. Não houve derrota do carlismo. Quatro anos depois, os baianos puseram o retrato do velho outra vez: Antonio Carlos Magalhães (PFL) retornou ao Palácio de Ondina e impôs uma hegemonia que se prolongaria até a noite de ontem, 1° de outubro de 2006.
A batalha da Bahia não anunciava a vitória de Wagner no primeiro turno, com 53% dos votos. Somos todos profetas do acontecido. Haverá quem diga: "Eu não disse?" – e passará por cínico ou louco. Ninguém profetizou. Ninguém acreditou. Havia sinais da derrota de Paulo Souto (PFL), mas nenhum deles foi levado a sério. As sondagens de opinião cometeram erros grotescos. Ponham aí: gritantes. Captaram mal, muito mal, o sentimento que os baianos guardavam em casa. Havia sinais. Repito, porém: hoje, as ruas de Salvador e do interior baiano se enchem de profetas do consumado, que anunciam, com sabor de novidade, a queda da Bastilha de 1789.
Quando o presidente Lula declarou que iria à forra para derrotar o grupo carlista, o ressentimento transparecia. Apoiara o senador ACM no escândalo dos grampos telefônicos e, no auge da crise do mensalão, o aliado estratégico integrou a tropa de choque que queria vê-lo sangrar. Com a recuperação de sua popularidade, Lula assumiu as estrelas de general da batalha da Bahia. O ex-ministro, que a princípio caminhava para o sacrifício em favor do líder, era o ajudante-de-ordens: em filmes de guerra, acenderia a luz sobre o mapa.
A elevação dos ataques contra Wagner, no horário eleitoral, indicava que algo de estranho corria nos subterrâneos. Os comícios de Lula em Feira de Santana e em Salvador reanimaram a disputa. O tiroteio federal cativou o eleitorado anticarlista e o discurso do presidente, no Farol da Barra, demonstrou que a vitória do PT na Bahia se tornara uma questão pessoal. Lembro-me de vê-lo, depois do comício, na esquina da Rua Barão de Itapoã, no carro oficial. Comia biscoitos e dava risinhos perversos.
Em entrevista coletiva, Wagner reconheceu a diligência do companheiro: "50% dos meus votos são do presidente Lula". Na condição de vitorioso ferido, criticou os cochilos e equívocos da imprensa. "Agora, quem tem que se explicar são os institutos de pesquisa". O resultado final soa como rebelião. O candidato do PFL admitia uma segunda batalha, mas nunca a troca de posições. Confirmada a cambalhota, o buzinaço torturou os pefelistas em Salvador. Policiais militares, sem amarras, sorriam e aplaudiam o cortejo dos novos comandantes. De madrugada, na orla, as luzes dos apartamentos anunciavam a noite insone.
O desempenho do PT baiano é o consolo de Lula. Surpreende porque a crise dos dossiês atrapalhou os candidatos petistas em todo o País. Aqui, não. A alta popularidade do presidente no Estado insinua uma transferência de votos expressiva para Wagner. A virada da Bahia pode significar tudo, inclusive o outono de um patriarca. No futuro, esperanças traídas ou página virada. Por ora, o sobressalto. Eu não disse?
Claudio Leal - Jornalista da editoria de Opinião de A TARDE.
e-mail: cleal@grupoatarde.com.br

A foto de Ed Ferreira registra a comemoração pela vitória de Wagner para governador da Bahia e de Geraldo Simões para deputado federal. Milhares de pessoas tomaram a Avenida do Cinquentenário, com panelas, vassouras, apitos e bandeiras.
Poeticamente, poderíamos dizer que ecoava nas ruas um grito de liberdade há muito tempo preso na garganta. Depois de 20 anos oprimida por um governo prepotente e onipotente, a população conquista a perspectiva de um governo popular e democrático.
Que esta liberdade na Bahia não seja como um cometa que atravessa os céus do Estado a cada 20 anos. A vitória será plena com uma administração fiel aos seus compromissos com o povo, competente para mudar de fato e de direito os ares de uma política carcomida e ultrapassada.
Flagrante de Ed Ferreira na "vassourada" do deputado federal eleito Geraldo Simões, na Avenida do Cinquentenário, ontem. A panela é o símbolo principal da campanha vitoriosa do governador Jaques Wagner, que acabou com 40 anos de poder de ACM, Paulo Souto e Cia. Era um tal de panelinha num ano, panelinha no outro... que o povo resolveu dar o troco nas urnas.
O futuro governador da Bahia, Jaques Wagner, alcançou votação "absurda" em Teixeira de Freitas. Tradicional reduto carlista, o município deu 78,98% dos votos válidos ao ex-ministro da coordenação política do governo Lula. O governador eleito teve 40.212 votos, contra 9.327 de Paulo Souto. Confira como foi a votação na cidade:
Wagner - 40.212 - 78,98%
Souto - 9.327 - 18,32%
Átila - 1.080 - 2,12%
Hílton - 193 - 0,38%
Rosana - 41 - 0,08%
As mulheres ocupam cinco vagas na Assembléia Legislativa. A partir de fevereiro do próximo ano, serão oito: Antônia Pedrosa (PRP), Maria Luiza Laudano (PTdoB), Neusa Cadore (PT), Fátima Nunes (PT), Marize Lisboa (PMDB), Virgínia Hagge (PMDB), Maria Luiza Carneiro (PDT) e Ângela Souza (PSC). Reeleita apenas Antônio Pedrosa. Lídice da Mata e Jusmari Oliveira, ainda deputadas estaduais, ganharam vagas para a Câmara Federal.
A seguir, a relação oficial dos deputados federais eleitos.
Os eleitos
Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL) - 436.966 votos (6,65%)
Fábio Souto (PFL) - 297.061 votos (4,52%)
Geddel Vieira Lima (PMDB) - 287.393 votos (4,37%)
Walter Pinheiro (PT) - 200.894 votos (3,06%)
Lídice da Mata (PSB) - 188.927 votos (2,88%)
Nelson Pellegrino (PT) - 171.129 votos (2,6%)
Fernando de Fabinho (PFL) - 161.750 votos (2,46%)
Jutahy Junior (PSDB) - 147.193 votos (2,24%)
José Carlos Aleluia (PFL) - 136.847 votos (2,08%)
José Rocha (PFL) - 115.777 votos (1,76%)
Paulo Magalhães (PFL) - 113.199 votos (1,72%)
Mário Negromonte (PP) - 103.277 votos (1,57%)
João Leão (PP) - 103.222 votos (1,57%)
Félix Mendonça (PFL) - 101.642 votos (1,55%)
Jusmari Oliveira (PFL) - 100.416 votos (1,53%)
Marcelo Guimarães Filho (PFL) - 93.253 votos (1,42%)
Zezéu Ribeiro (PT) - 92.327 votos (1,41%)
Luiz Carreira (PFL) - 90.290 votos (1,37%)
Geraldo Simões (PT) - 88.796 votos (1,35%)
José Carlos Araújo (PL) - 88.104 votos (1,34%)
Roberto Britto (PP) - 87.452 votos (1,33%)
Guilherme Menezes (PT) - 87.010 votos (1,32%)
Daniel Almeida (PCdoB) - 86.881 votos (1,32%)
Cláudio Cajado (PFL) - 86.773 votos (1,32%)
Jorge Khoury (PFL) - 81.095 votos (1,23%)
João Almeida (PSDB) - 81.034 votos (1,23%)
Maurício Trindade (PL) - 78.115 votos (1,19%)
Tonha Magalhães (PFL) - 78.034 votos (1,19%)
Alice Portugal (PCdoB) - 78.031 votos (1,19%)
João Bacelar (PL) - 77.902 votos (1,19%)
Colbert Martins (PPS) - 74.264 votos (1,13%)
Sérgio Barradas Carneiro (PT) - 70.348 (1,07%)
Luiz Bassuma (PT) - 65.714 votos (1%)
Severiano Alves (PDT) - 61.054 votos (0,93%)
Luiz Alberto (PT) - 60.950 votos (0,93%)
Sérgio Brito (PDT) - 46.950 votos (0,71%)
Marcos Medrado (PDT) - 46.291 votos (0,70%)
Veloso (PPS) - 31.279 votos (0,48%)
Edson Duarte (PV) - 27.729 votos (0,42%)
Se existe um bom motivo para o governador eleito Jaques Wagner comemorar, é a redução da bancada pefelista na Assembléia Legislativa. Hoje, ela possui 21 deputados e o eleitor tirou quatro delas, elegendo apenas 17 do PFL. A segunda maior bancada, a do PT, continuará com igual número de cadeiras na Assembléia: dez. Apesar de ficar menor na Assembléia, o PFL faz articulações para "ampliar" a oposição ao futuro governador do estado a partir do dia primeiro de janeiro.
A Tarde On Line
Na nova composição da Assembléia Legislativa da Bahia, ganham espaço os aliados do governador eleito, Jaques Wagner. O novo governo, no entanto, terá dificuldades para formar uma maioria na casa. Dos 63 deputados, 26 fazem são do PFL, PP e PL, partidos que dão sustentação ao governo Paulo Souto. Já a coligação de Wagner elegeu 21 deputados. Além disso, foram eleitos três deputados do PSDB e três do PDT. Os dois partidos não fizeram parte da coligação de Wagner, mas poderão vir a apoiar o novo governador.
O PFL terá a maior bancada na Casa com 16 deputados. Em seguida, vem o PT com 10. O PMDB será a terceira bancada com seis deputados. O PP e o PL elegeram cinco deputados cada. PCdoB, PSDB, PDT e PRP terão três parlamentares. Os outros partidos somam nove deputados.
Em relação à atual bancada, o PFL foi o partido que mais perdeu: são cinco deputados a menos. A legenda que mais cresceu foi o PMDB, que tem dois parlamentares e terá seis na próxima legislatura.
A renovação na Assembléia foi modesta, de apenas 35%, com 22 novos parlamentares. Dos 63 eleitos, 41 já são deputados estaduais.
-Confira os eleitos:
Sandro Régis (PL) 99.962
Edson Pimenta (PC do B) 85.458
Ronaldo Carletto (PP) 82.256
Gaban (PFL) 77.364
Clóvis Ferraz (PFL) 75.907
Gildásio Penedo (PFL) 73.774
Paulo Azi (PFL) 72.540
Valmir Assunção (PT) 68.302
Rogério Andrade (PFL) 68.079
Roberto Muniz (PP) 63.894
Tarcízio Pimenta (PFL) 63.864
José Nunes (PFL) 63.192
Waldenor (PT) 61.328
João Bonfim (PFL) 59.872
Luiz de Deus (PFL) 59.556
Ivo de Assis (PL) 58.539
Marcelo Nilo (PSDB) 57.535
Reinaldo Braga (PFL) 56.937
Maria Luiza (PDT) 56.563
Aderbal Caldas (PP) 56.350
Eliedson Ferreira (PFL) 55.330
Júnior Magalhães (PFL) 54.737
Heraldo Rocha (PFL) 52.383
Arthur Maia (PSDB) 52.269
Antonia Pedrosa (PRP) 50.771
Elmar (PL) 50.541
Misael Neto (PFL) 49.641
Luiz Augusto (PP) 47.663
J.Carlos (PT) 47.202
Gilberto Brito (PL) 46.878
Coronel (PL) 46.660
Emério Resedá (PFL) 46.454
Paulo Câmera (PFL) 46.225
Luiz Argolo (PP) 45.962
Zé Neto (PT) 44.931
Paulo Rangel (PT) 42.389
Roberto Carlos (PDT) 42.228
Zilton Rocha (PT) 40.199
Nelson Leal (PSL) 39.612
Luciano Simões (PMDB) 38.371
Zé das Virgens (PT) 38.283
Leur Lomanto Jr. (PMDB) 38.051
Getúlio (PMN) 36.452
Capitão Tadeu (PSB) 36.203
Maria Luiza Láudano (PT do B) 35.424
Neusa Cadore (PT) 35.092
Bira Coroa (PT) 34.224
Cap. Fábio (PRP) 33.875
Fátima Nunes (PT) 32.121
Javier Alfaya (PC do B) 32.034
Adolfo Menezes (PRP) 31.817
Álvaro Gomes (PC do B) 31.786
Marizete (PMDB) 31.482
Jurandy Oliveira (PRTB) 31.025
Ferreira Ottomar (PMDB) 30.095
Joélcio Martins (PMDB) 29.900
Fernando Torres (PRTB) 29.746
Euclides (PDT) 28.092
Ângela Sousa (PSC) 27.172
Virginia Hagge (PMDB) 26.731
João Carlos Bacelar (PTN) 24.063
Carlos Ubaldino (PSC) 22.678
Sérgio Passos (PSDB) 19.952
Uma enorme e divertida multidão encheu a Avenida Cinquentenário no final da tarde / início da noite desta segunda-feira para comemorar a vitória de Geraldo Simões (PT) para deputado federal. Chamou atenção a grande quantidade de vassouras e panelas levadas pelos partidários do ex-prefeito de Itabuna.
A vassoura, é fácil deduzir, tem a ver com o rumoroso caso do bioterrorismo, em que Geraldo foi acusado de ser o mentor de um plano mirabolante para destruir a cacauicultura baiana.
Ao passo que a conspiração ia sendo gestada, percebeu-se que ela era filha de inimigos políticos de Geraldo, como o prefeito Fernando Gomes e a sua parceira de estripulias, Maria Alice. Detalhe: na sexta-feira, a Polícia Federal pediu o arquivamento do inquérito por falta de provas.
Bem, não esqueçamos das panelas. Claro, essas eram para homenagear Wagner, que acabou com a "panelinha" que governou a Bahia por 16 anos.
Cerca de 20 mil pessoas varreram a avenida no mais animado panelaço já visto na cidade.

O senador ACM não quis comentar o resultado das eleições na Bahia. Nem precisou. A imagem diz tudo sobre o sentimento do homem que comandou o Estado com mão de ferro durante 16 anos.
ACM sempre impôs a sua política e jamais respeitou aliados. Estes eram, na verdade, tratados mais como lacaios a serviço do comandante. Seus chutes nas canelas dos comandados tornaram-se famosos, assim como as reuniões convocadas para, única e exclusivamente, serem expressadas as diretrizes do chefe. Sem direito a opiniões alheias, muito menos discordâncias.
Politicamente, ACM vem minguando. Nos últimos anos, o estilo malvadeza causou uma saturação em seu próprio grupo e o velho senador ficou meio dependente do carisma do governador Paulo Souto. Não faltaram os rumores de um rompimento entre os dois, assim como ganharam notoriedade as brigas internas e as disputas em eleições municipais, onde ACM e Souto tinham candidatos diferentes.
Mas, nas eleições deste domingo, a derrota não foi tanto de Paulo Souto. Foi de ACM e do modelo político que impôs à Bahia. Morreu, senão o último, pelo menos o mais evidente sistema coronelista ainda existente no País. Mesmo sem saber o que o futuro lhes reserva, os baianos sentem que o ar está bem mais leve.
Ficou mais gostoso respirar na Bahia.
O prefeito Fernando Gomes concedeu entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira. Tentou disfarçar a decepção com a derrota, mas não deu. Como uma espécie de consolo, FG disse que, apesar do mau resultado do filho, que perdeu a eleição para deputado estadual, ele estava contente porque Paulo Souto venceu em Itabuna. Ora, como se isso adiantasse alguma coisa.
À exceção do deputado federal Félix Mendonça (PFL), reeleito, todos os candidatos de FG foram derrotados na urnas.
Muito interessante a tese defendida pelo jornal A Região para a derrota histórica sofrida pelo governador Paulo Souto na Bahia. De acordo com o semanário, os eleitores do PFL teriam desejado dar um susto em Souto e levar a decisão para o segundo turno. O objetivo seria, de acordo com a nota do jornal, baixar a crista de ACM.
Ainda segundo a teoria, o problema foi que muitos tiveram a mesma idéia e o susto acabou forte demais. Ou seja, a brincadeira matou a vítima.
Impressionante que ninguém tenha pensado nisso antes.
Totalmente pirados com os números dessa eleição, os redatores do blog pedem desculpas aos leitores pela ausência de postagens. Prometemos voltar à ativa o mais breve possível, quando o efeito da embriaguez passar.
VIVA A DEMOCRACIA!!
A Polícia Federal acaba de prender o ex-prefeito Geraldo Simões, eleito deputado federal. Ele é acusado de "pocar" as urnas em Itabuna.
Abaixo, a íntegra de uma nota postada no dia 10 de setembro neste blog. A gente erra muito, mas acerta ainda mais...
Reação no Extremo-Sul
"O governador Paulo Souto deve ficar de olhos abertos. Pode perder novamente em centros importantes e ver ameaçada a sua pretensão de liquidar a fatura ainda no primeiro turno. Cidades-referência do Extremo-Sul baiano caminham em direção ao adversário a passos largos. É preciso lembrar a eleição passada. Vamos a ela:
Em 2002, Souto teve 13.776 votos em Eunápolis, contra 11.087 de Jaques Wagner. Se dependesse desse município, haveria segundo turno naquela eleição (39,8% a 49,2% dos votos válidos). Mas em Itamaraju o bicho pegou. Wagner foi a 51,9% dos votos e Souto 39.9%. Em Porto Seguro, foi 46,4% dos votos para o atual governador e 42,4% para o petista. Subindo um pouco mais, em Teixeira de Freitas, o ex-ministro de Lula chegou a formidáveis 58% e Souto, apenas 35,1%.
Pensando nestes números, Wagner fincou pé no Extremo-Sul nos últimos dias. Lá, conseguiu apoios importantes e outros meio "podres". Em Teixeira de Freitas, obteve a adesão do prefeito Padre Aparecido(PSDC), ex-aliado do carlismo. O comício lotou a praça local, como se pode perceber na foto acima. Eunápolis, importante centro comercial daquela região, Wagner atraiu Jota Batista (PRTB) e o ex-prefeito Paulo Dapé, este último um apoio questionável pelo histórico."
O ex-ministro Jaques Wagner (PT) saiu na frente e, contrariando as pesquisas, venceu a disputa ao governo da Bahia no primeiro turno. Com 53,12% dos votos válidos em 96% das urnas apuradas, ele bateu o candidato Paulo Souto (PFL), 62, que disputava a reeleição e somava 42,71%.
A vitória de Jaques Wagner é uma dupla revanche, já que o petista venceu o mesmo candidato que o derrotou em 2002 e, de quebra, encerrou a hegemonia do PFL na Bahia. Desde 1991, os quatro governadores do Estado são filiados ao partido: Antonio Carlos Magalhães, César Borges e o próprio Paulo Souto (duas vezes). A vitória de Souto daria 20 anos de controle ao PFL.
Jaques Wagner nunca havia ganho uma eleição majoritária. Antes de ter sido derrotado por Souto em 2002, Wagner perdeu a Prefeitura de Camaçari (região metropolitana de Salvador).
Na disputa ao Senado, o PFL também foi derrotado. Quem ficou com a vaga foi o ex-governador João Durval Carneiro (PDT), que somou 47,57% dos votos válidos --exclui brancos e nulos. Rodolfo Tourinho (PFL) ficou com 34% dos votos.
Jonalismo de rabo preso é um problema. O Correio da Bahia deste domingo traz em sua manchete a informação de que Paulo Souto deve vencer com 51% dos votos válidos. Não é mentira, mas também não traduz a notícia que realmente chama atenção no momento - a de que Wagner cresceu e pode levar a decisão para o segundo turno.
Na mesma primeira página do Correio, a chamada diz que deverá ocorrer segundo turno entre Lula e Alckmin. Pois bem, dois pesos e duas medidas. Para Souto, o placar apertado garante vitória no primeiro turno. Para Lula, o empate com os adversários já aassegura decisão em dois tempos.
Como diz o outro, "me faça uma garapa de limão-balão". Isso lá é jornalismo??!!