28 fevereiro 2008

Debaixo do pano

Aqui na região, em que os efeitos da ditadura de 1964 se fizeram sentir, como em todo o Brasil, ainda temos dificuldades com o conviver democrático. Dos efeitos deletérios do golpe militar, talvez o mais nocivo seja a incapacitação de alguns setores para a convivência democrática. Somos hoje um país em que as ações de governo não são analisadas e contestadas - e isto, por paradoxal que pareça a tais setores, é muito saudável.

Agora mesmo, o reitor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) tem suas despesas postas sob suspeita. E isto não ocorre por descoberta de algum sherlock grapiúna, mas pela própria iniciativa oficial. Ao criar um canal de informações sobre o destino das verbas públicas, o governo sabe que está pondo o pescoço na guilhotina. Mesmo assim, o faz, porque fazê-lo é exigência inadiável dos tempos do Estado Democrático de Direito em que vivemos.

Os "males" da democracia, que nos levaram à Uesc, são os mesmos que descobriram o escândalo dos cartões corporativos.

Se os governos (Federal e Estadual) conservassem, como se fazia até pouco tempo, a prática de manter seus atos debaixo do pano, tais notícias não chegariam, ou chegariam muito tardiamente, às ruas.

Lá como cá, no Planalto e na Uesc, é necessário que a operação "transparência" se complete. O governo já fez a parte dele, ao divulgar. Agora, é a vez da sociedade, que precisa exigir perdão para os inocentes e punição para os culpados.

Opinião, Jornal Agora

2 comentários:

  1. Martí surpreso.

    Ô seu Pimenta, pode explicar o por que dessa notícia publicada na coluna Z do Diário do Sul de ontem não ter sido comentada por esse blogueiro?

    O que será que o Marcel tem?

    Vejam vcs.:

    Estratégia que dá lucro
    27/02/2008

    Político envolvido em irregularidades administrativas é o alvo preferido de A Região.
    Denúncias, com ou sem provas, são publicadas na coluna “Malha Fina”, até um representante do jornal ser chamado para uma conversa.
    Se o representante sair do encontro “convencido”, as denúncias deixam de ser publicadas. A trégua é instantânea.
    Caso contrário, o bicho pega. O político vira inimigo do jornal para o resto da vida.
    A menos que reveja sua posição e se convença a “convencer”.


    Só não vale deixar só sair aqui nos comentários.

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  2. Os professores estão achando que a pizza da UESC é igual a pizza do Congresso. Aí que pode está o erro maior, caros colegas, se Joaquim e os punidos não forem afastados a Universidade vai sucumbir em descrédito.
    Apesar de vocês governarem a Universidade como a um dos 3 poderes, a instituição é mais complexa e precisa ser diferenciada. Abafamento de corrupção não é igual acolá!

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Aos comentaristas, recomendamos:

- escrever nos limites das boas maneiras, sem 'pesar' a mão;

- ater-se ao assunto da nota;

- Não ofender a honra alheia. Isso os políticos já o fazem muito bem.