24 outubro 2006

Mediador fraquinho...

Sejamos sinceros, pelo menos num ponto: o Celso Freitas é bom apresentador de telejornal, mas como mediador de debate está muito longe daquilo que se espera. Deixou os candidatos correrem soltos e extrapolar o tempo quase todas as vezes. Numa delas, o presidente Lula até se sensibilizou com Alckmin e deu-lhe mais tempo para a pergunta...

Renda, emprego, crescimento... e as considerações finais

Alckmin encerrou a sua participação no debate chamando a atenção para o compromisso ético e disse que sua prioridade será a geração de emprego e renda, o crescimento econômico. Na seqüência do xarope que estão sendo os debates, Lula reafirmou as suas conquistas obtidas em quase quatro anos de governo e disse esperar contar com os brasileiros para mais um mandato.

Você assistiu ao debate na Record? Deixe o seu comentário (basta clicar em COMENTS, aqui abaixo!).

Tchau, Chuchu!!!

Pô, cadê Heloísa Helena, hem? Esse Alckmin tá muito ruim! Assim, fica fácil para "Nestepaiz" dar um banho no debate. Com números e ironia (demasiada), o presidente, aos poucos, vai empurrando o tucano para baixo nas pesquisas (e a boca do jacaré abrirá cada vez mais!).

Tá faltando força, altivez ao Geraldo Alckmin. E que besteira, vacilão dele falar de Nordeste. Aqui o Lula é "rei" porque o consumo aumenta a taxas superiores a 9%, a pobreza diminui de forma ainda mais rápida do que no restante do país e a agricultura dá um salto com o reforço de crédito - especialmente para a agricultura familiar.

Sejamos francos: o debate é ruim em termos "programáticos", mas é bom à medida que mostra um homem que conhece muito de gestão... de São Paulo. Para derrubar Lula, ele teria que, primeiro, conhecer o Brasil. Ou ter uma assessoria melhor!

Tá dando saudades daquele Alckmin da Bandeirantes. O que houve com esse homem?

23 outubro 2006

3º bloco: jornalistas fazem perguntas e debate até melhora...

Vamos aqui fazer uma pequena concessão e dizer que o debate melhorou um pouquinho em relação ao segundo bloco...

A jornalista Adriana Araújo, apresentadora do Jornal da Record (como ela é bonitinha!) pegou os candidatos com as calças curtas ao fazê-los apontar qualidades um do outro. Lula enrolou, disse que Alckmin era democrático, civilizado, mas mudou com nesta eleição. Alckmin devolveu afirmando que não poderia perder a chance de se indignar com a corrupção.

Bob Fernandes perguntou, então, sobre democratização da mídia. O presidente Lula respondeu de forma esperada. Não falou em controle da mídia, mas de formas que possam coibir os excessos das emissoras de TV e de rádio, por exemplo. Para ele, a TV digital será um avanço neste sentido. Alckmin não entendeu o tema e disse que a defende a liberdade de imprensa, porém, não falou de propostas. Adriana então perguntou a Alckmin qual o seu maior defeito. Ele disse que poderia ter todos, mas não roubava!.

A jornalista da Record, Cristiane Lemos, perguntou, então, sobre economia aos dois candidatos. Lula teve que responder sobre o que fez para a classe média (ou faria). Alckmin, respostas sobre que tipo de imposto ele cortaria. Cortaria a CPMF? Ele não respondeu.

Debate ficou morno no 2º bloco

O segundo bloco parecia repetição dos outros dois debates (Band e SBT). Os candidatos falando dos mesmos assuntos e respondendo da mesma forma. Alckmin encaixou uma pergunta sobre saúde. Desta vez, Lula saiu pela tangente e falou dos investimentos em emergências hospitalares (300 milhões de reais) e em saúde preventiva (Médico da Família e contratação de agentes). Para alfinetar Alckmin, citou o caso do Rio de Janeiro e ainda esclareceu: "se o estado de São Paulo tem atendimento melhor agora é porque aumentamos os repasses de 1 real para 3 reais (por pessoa)".

o fato é que o debate tá morno, caminhando para ficar chato, chato.

- Ah, aquela fonte de informação de Alckmin (que Lula diz estar desinformado) é ele mesmo, o homem dos factóides, o prefeito carioca César Maia.

Falta visão a Alckmin (1º bloco)

O primeiro bloco do debate mostrou visão curta de Alckmin para as questões nacionais. Quando Lula perguntou das propostas tucanas para a indústria naval, ele preferiu responder que esse setor enfrentava crise desde os anos 70. Mas agora, na gestão de Lula, constrói com 80% de tecnologia nacional - e foi recuperada.

Na questão dos deficientes, tentou fazer pegadinha com o presidente. Malandro, Lula usou exemplos do dia-a-dia. No mais, somente consegue algum destaque quando vai para cima do presidente e fala de corrupção. É pouco para quem precisa reverter resultados das pesquisas.

Começa debate na TV Record

Lula já falou. Agora, é Alckmin:

- Governo parado na economia e acelerado nos escândalos.

Um rádio cinqüentão e sem Germano da Silva

Luiz Conceição*

Não fosse a citação do multimídia Ramiro Aquino em sua coluna de jornal, a cultural falta de memória nos deixaria sem festejar o cinqüentenário da radiodifusão de Itabuna. Nascida em 20 de outubro de 1950, com a inauguração da extinta Rádio Clube de Itabuna que foi sucedida na freqüência 870 Khz pela atual Rádio Nacional de Itabuna, a nossa radiodifusão teve momentos memoráveis lembrados no livro DE TABOCAS A ITABUNA - 100 ANOS DE IMPRENSA do mesmo radialista e jornalista, dentre outros atributos midiáticos.

A obra preenche um vazio deixado de um lado pela inexistência de um local que nos preserve aquilo que fizemos enquanto sociedade, desde que este pedaço de chão passou à categoria de cidade. Aliás, o primeiro centenário se avizinha e é quase nenhum os esforços para preparar a comemoração da data que encheria de orgulho outros povos que não fóssemos nós, fadados ao alheamento, ao esquecimento, à fraqueza da memória e à ação do tempo que tudo apaga. Mas o livro é realmente o que nos resta da história do nosso rádio e dos talentos inigualáveis que o fizeram no decorrer de cinco décadas.

A tristeza que dá é que exatamente um dia após o 20 de outubro sejamos todos avisados do falecimento do radialista e advogado Germano Lopes da Silva, um dos lendários profissionais que, apesar dos humanos defeitos, deixa um legado de dedicação e vitória pelo programa Calouros do Germano. Também vitória porque, apesar da avançada idade, cursou Direito na Uesc, onde se especializou em Processo Civil e serviço prestou a alguns de seus ouvintes de rádio e a pessoas de quem só conheceu o sofrimento quer pelo erro social, quer pela heróica ação de advogado.

O que seria um regozijo pelo cinqüentenário de nossa radiodifusão grapiúna, que ainda exporta talentos para outras emissoras do Estado e do País, é uma homenagem a Dr. Germano, como passou a gostar de ser chamado, depois de bacharelado em Direito e advogado no fórum. Para nós que acompanhamos às vezes de perto, às vezes longe, sua trajetória fica a saudade do operador do Direito e de Maninho, o radialista. Que seu exemplo de desbravador do rádio fraterno nos tempos difíceis seja imitado pelos que no rádio atual dão seqüência à radiofonia cinqüentenária. Com mais respeito aos cidadãos e ouvintes e mais solidariedade.

(*) Repórter e bacharel em Direito.

Calote no carnaval

Este blog contará, em breve, toda a história do calote nas atrações do carnaval antecipado. Inclusive, revelará tudo sobre os R$ 40 mil da banda As Meninas - e da festa animadíssima na fazenda do candidato a deputado estadual derrotado Marcos Gomes.

Aqui, o rabo preso é com a notícia!

Nove meses depois, bandas recebem por apresentações no carnaval de Itabuna

A fama de Itabuna lá fora não é nada boa. A prefeitura contribui para isso. Veja o caso das bandas que tocaram no carnaval antecipado. A festa aconteceu no final de janeiro, mas uma das atrações, O Rodo, somente conseguiu receber o cachê pela apresentação na festa agora em outubro, nove meses depois. Uma gestação!

Já outra atração, a Vixe Mainha, viu a cor do dinheiro apenas em julho. Incrível!!! Este blog estranha que o secretário Marcelino Pereira (foto) tenha apresentado, em vez de comprovante de pagamento, apenas autorização de débito. Muito estranho! Nem apresentou nota fiscal das dívidas. Muito estranho, doutor.

Lula terá mais um minuto de direito de resposta

Site do TSE

O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em votação unânime, concedeu um minuto de direito de resposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pela coligação A Força do Povo. A decisão foi proferida durante a sessão extraordinária dessa segunda-feira (23), na Representação (RP) 1298. Dessa forma, o candidato da coligação Por um Brasil Decente, Geraldo Alckmin, perde um minuto de seu programa para a veiculação da resposta do candidato adversário.

Na ação, a coligação A Força do Povo reclamava que a coligação Por um Brasil Decente veiculou propaganda ofensiva ao presidente Lula, na forma de inserção na TV, no último dia 19 de outubro. O trecho impugnado pela ação diz que “Lula manda nos ministros”, “manda na Polícia Federal” e no PT. Em seguida, questiona “por que ele não manda revelar de onde veio o dinheiro”. O relator da matéria, ministro Carlos Alberto Menezes Direito, concedeu o direito de resposta por considerar que houve ofensa ao presidente-candidato Lula.

Clique no título e seja direcionado para o site do TSE.

Wagner está por cima da carne seca!

"O governador eleito da Bahia Jaques Wagner ainda não sabe a que horas tomará posse no dia primeiro de janeiro.

Lula prometeu que irá à posse dele. O horário da posse de Wagner, pois, depende do horário da posse de Lula.

Ele será o único governador a merecer tão subida honra."

Do site de Ricardo Noblat.

Veloso declara à Folha que fará pé-de-meia no Congresso, "dentro da legalidade"

Raymundo Veloso está entre os três
eleitos que dizem "não ter nada"


DA AGÊNCIA FOLHA


"O vereador de Ilhéus (BA) Raymundo Veloso (PPS), 78, eleito neste ano para a Câmara, afirma que nunca teve dinheiro. "Eu sou de uma família de pessoas humildes. Meu pai era mestre de obras, e minha mãe, doméstica. Comecei a trabalhar como contínuo."

Mesmo depois de se formar em direito, diz que trabalhou praticamente de graça para as pessoas carentes. Ele afirma, no entanto, que vai tentar ganhar dinheiro como deputado federal. "Tenho que fazer um pé de meia durante esses quatro anos, dentro da legalidade. Porque eu não sei quando eu vou morrer."


Para conferir a íntegra da matéria, clique no título desta nota.

Destaques do Pimenta na Muqueca

- Capitão Fábio pode ingressar no PMDB
e ser líder do Governo na Assembléia

- Hiper Messias" vai a praça - ou leilão - por R$ 8,2 milhões

- Morena muda para recuperar audiência

- Gasparetto analisa corrida presidencial

- O coveiro do carlismo, segundo a Istoé

- Não tem que parecer, tem que ser honesto

- Dançarina do Faustão diz, no ar, quem ganha a eleição!!!!

Gaspareto analisa a campanha presidencial


Balanço das duas primeiras semanas
de campanha do Segundo Turno


No Segundo Turno Lula amplia expressivamente a diferença, conquistando mais intenções de voto do que o somatório de votos obtidos por Heloísa Helena e Cristovam Buarque juntos e Alckmin podendo ter menos votos no Segundo Turno do que obteve no Primeiro. Fazendo um breve balanço das campanhas, Lula conseguiu colocar Alckmin na defensiva, apostando basicamente na comparação com os dois governos de Fernando Henrique Cardoso.

Como já se afirmou em notas anteriores, o passado conspira contra as pretensões de Alckmin. Nesse olhar para o passado, dois elementos se afirmam como âncoras da estratégia Lula: o primeiro, o programa Bolsa Família e o aumento real do poder de compra do Salário Mínimo, que empatizou as classes mais pobres. O segundo, a questão da privatização, que se constitui numa “batata quente” nas mãos de Alckmin, que enquanto nega para o futuro os reflexos do passado parecem colocar em dúvida o discurso concernente ao futuro.

Com essa temática, Lula empatizou com parcelas das classes médias e, no plano estadual, pode ter dado a Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul, um argumento com grande potencial, já que nesse Estado, a questão da privatização e suas implicações é uma cicatriz aberta, um braseiro vivo coberto por cinzas. Se Lula colocou seu oponente na defensiva nessas duas questões, Alckmin vem tentando colocar seu oponente na defensiva recorrendo à questão do dossiê, não tanto esse em si mesmo mas focalizando a origem do dinheiro da tentativa de sua compra.

Essa questão, salvo fato novo relevante, pode estar dando sinais de fadiga, podendo perder capacidade de impactar, não parecendo ter forças para desestabilizar o quadro eleitoral, como já foi referido no início do Segundo Turno e desse blog, tende fortemente à estabilidade. Nessa abordagem, no debate da Band, ao recorrer a uma postura agressiva, Alckmin pode ter passado uma imagem negativa, desconstruindo seu perfil de equilíbrio e de serenidade. Ressalte-se que o eleitor brasileiro não parece empatizar com posturas agressivas, passada pelo debate, nem posturas ressentidas ou rancorosas, como as de Heloísa Helena, por exemplo.

Tenha acesso a esse e outros comentários de Gasparetto clicando no título desta nota.

Não tem que parecer, tem que ser honesto

Agora há pouco na TV Cultura, o ex-governador Geraldo Alckmin sofreu dois ataques fulminantes e titubeou nas respostas. Na última delas, o reporter Lourival Sant´Ana, do Estadão, perguntou ao tucano se "não ajuda a crescer o número de casos de corrupção quando a sua filha (a de Alckmim, claro!)vai à Secretaria da Fazenda do Estado para exigir incentivos fiscais para a Daslu (empresa onde ela trabalhava)?"

Alckmin disse que a filha era simples vendedora. Lourival lembrou que ela era mais que isso, era gerente da Daslu. O tucano desconversou e o repórter foi na veia: "não tem que parecer, tem que ser honesto, governador". Alckmin ficou ainda mais calvo.

Para encerrar a série, a colunista do Correio Braziliense Denise Rothenburg perguntou ao ex-governador:

- Se acontecer um milagre e o senhor conseguir se eleger presidente da República, o sr. vai conversar com os partidos mensaleiros, já que o sr. só tem o apoio do PSDB e o PFL, que terão apenas 131 deputados?

Alckmin quis sair pela tangente, mas aí veio a Tereza Cruvinel e emendou: "vai negociar com os mensaleiros?"

A noite para o homem não está sendo lá essa criança.

A fralda cheira mal.

22 outubro 2006

Dançarina do Faustão diz, no ar, quem ganha a eleição!!!!

O dispensável programa do Fausto Silva (Domingão do Faustão) contribuiu para o acalorado debate sobre quem será o novo presidente do Brasil, em janeiro. Quer saber a opinião da dançarina sobre quem ganhará a eleição, no dia 29? Então clique no título desta nota. A resposta da moça embaraçou Faustão e causou arrepios na direção da Vênus Platinada.

Capitão Fábio pode ingressar no PMDB e ser líder de Governo na Assembléia

É dado como certo o ingresso do deputado estadual reeleito Capitão Fábio no PMDB. Com base eleitoral em Itabuna, ele poderá, inclusive, ser líder do futuro Governo na Assembléia Legislativa. Capitão Fábio se reelegeu pelo PRP. Em tese, a mudança significaria um duro golpe para os atuais peemedebistas itabunenses Ricardo Xavier e Renato Costa, apelidados nas ruas de Itabuna como os sem-voto. A oxigenação do PMDB local está sendo pilotada por Gedell e o futuro vice-governador Edmundo Pereira, também da mesma legenda. A aproximação de capitão Fábio com o novo governador Jaques Wagner estaria sendo feita pelo ex-prefeito de Itabuna e deputado federal eleito Geraldo Simões.

No Ibope, 50% acham governo Lula ótimo ou bom

Aumento de 45% para 50% o índice de eleitores que consideram o governo Lula ótimo ou bom, segundo a última pesquisa Ibope/Rede Globo, divulgada na última sexta, dia 20. A comparação é feita com o levantamento do dia 12 de outubro. Na outra ponta, caiu de 20% para 15% os que consideram a gestão de Lula ruim ou péssima. Assim, o homem caminha a galope para ser o presidente mais votado das Américas - até hoje, só perde para o norte-americano Ronald Reagan, já morto. Abaixo, os índices de avaliação de governo nas últimas três pesquisas feitas pelo Ibope.

Ótima/boa 44% (27/set) 45% (12/out) 50% (20/out)
Regular 35% 33% 33%
Ruim/péssima 21% 20% 15%
Não sabe/não opinou 1 1 1

O coveiro do carlismo, segundo a Istoé


Tido como pacificador, Jaques Wagner vai ganhando ainda mais espaço no PT nacional e desempenha papel importante neste segundo turno da eleição presidencial. A revista Istoé desta semana traz uma entrevista com o petista que derrotou o senador Antônio Carlos Magalhães e o governador Paulo Souto.

Abaixo, parte da entrevista que você confere na íntegra clicando no título desta nota:

ISTOÉ – Como o sr. virou o coveiro do carlismo?
Jaques Wagner – Não trabalhei para ser coveiro de ninguém, mas para afirmar uma nova política para a Bahia. Tenho que admitir, porém, que minha eleição foi, em grande parte, uma rejeição ao modelo de Antônio Carlos Magalhães governar. Ele utiliza métodos ultrapassados, que não correspondem à alma do povo baiano, como os ataques mal-educados que ele fez ao presidente Lula. Ele foi deselegante, e muita gente me disse: “Eu vou votar no senhor para calar a boca dele.” O PFL era uma nuvem cinzenta sobre a Bahia e a expressão máxima desse grupo é ACM.

ISTOÉ – Isso significa que não foi o PT que venceu, mas que foi eleito graças
à rejeição a ACM?

Wagner – Creio que as duas coisas se somam. Atribuo parte da minha vitória ao cansaço e ao declínio do modelo do PFL. Nem o próprio grupo de ACM agüentava mais ACM. Ele era um peso para o próprio governador Paulo Souto. Pesou igualmente o fato de eu ter sido o primeiro candidato da oposição a aparecer para os baianos com um projeto consistente. Outro ponto é que ganhei muito apoio embalado pelos votos que os baianos deram ao presidente Lula, 67% no primeiro turno. Além disso, conseguimos fazer uma boa coligação com todas as forças anticarlistas. Tivemos a humildade de não lançar candidato a senador para apoiar informalmente o candidato de outra coligação, o ex-governador João Durval, que também venceu.

ISTOÉ – As pesquisas apontavam sua derrota. O sr. acredita em pesquisas?
Wagner – Acredito. Tanto que encomendei algumas. As minhas pesquisas para consumo interno davam algo muito próximo às dos institutos que divulgavam publicamente suas sondagens. As minhas erraram também. Das duas uma: ou a metodologia deles está errada, ou a mostra está errada, ou o povo baiano, como eu imagino que possa ter acontecido, por medo desse sistema que constrangia até agora as pessoas, não respondeu com medo daquilo ser uma bisbilhotice.

ISTOÉ – Esta, então, é a principal hipótese?
Wagner – Creio que sim, porque é impossível que os institutos errassem tão grosseiramente em 20% ou manipulasse tão grosseiramente.

ISTOÉ – Foi uma surpresa o segundo turno para o Lula?
Wagner – Eu nunca trabalhei com a idéia de primeiro turno, nem para mim nem para Lula. Eu sempre disse para as pessoas: para a gente vencer dois turnos, a gente tem que se preparar para qualquer hipótese. Infelizmente, o pessoal previu que Lula ganharia no primeiro turno e, apesar de ter ganho como o mais votado no primeiro turno, fica parecendo que não ganhou. Parece uma derrota, mas na minha opinião não é, porque ganhar no primeiro turno significa 50% mais 1. Se você tiver 49,9%, você teve uma bela votação e não ganhou. Aqui na Bahia ele tem 67%. Eu creio que os xingamentos do senador nos ajudaram muito a vencer essa eleição.

ISTOÉ – E os xingamentos do Alckmin contra o Lula?
Wagner – Vão fazer o mesmo efeito. É só você ver as pesquisas. A estratégia
deles mudou, mas o povo não gostou.

ISTOÉ – A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é mais eficiente que o ex-ministro José Dirceu?
Wagner – Eu considero que sim. Ela se dedica exclusivamente às tarefas gerenciais do governo. Neste aspecto, ela se torna mais eficiente. O Zé Dirceu era um político na gestão e, portanto, é inevitável separar essas duas partes do mesmo ser.

ISTOÉ – Quem é mais eficiente, Palocci ou Mantega?
Wagner – Não é um problema de melhor ou pior. O Mantega tem um estilo menos contundente e acabou construindo em torno de si um leque de apoio maior. Mas é inegável o mérito do Palocci. Boa parte do que estamos colhendo hoje se deve a ele. Isso ninguém vai tirar dele. É um mérito que ele teve, de implementar um caminho que resultou nisso aí.

ISTOÉ – Mas crescemos pouco?
Wagner – Nos compararmos à Argentina é uma arrogância. O Alckmin ficou repetindo que a gente cresceu menos que a Argentina. Eu acho que estamos
vivendo um grande momento e acho que vale o crescimento continuado, independentemente do valor. Acho que a gente está consolidando uma cultura
de crescimento sem iniciação.

ISTOÉ – Quais garantias o eleitor terá de que não haverá novos dirigentes petistas envolvidos em corrupção e dossiês?
Wagner – Tenho a crença de que as pessoas aprendem as lições. A democracia não pode depender da bem-vinda honestidade de cada pessoa. Ela tem que ter instituições e estruturas que comprovem e que façam as pessoas temerem a lei. Estamos contribuindo com isso nesse governo. Uma Controladoria Geral da União independente, a Polícia Federal. Não posso garantir a integridade moral de quem quer que seja. Idoneidade independe de qualquer filiação partidária.