A força dos indecisos II
Contudo, nos primeiros dias de setembro, ocorreu o primeiro sinal de que a situação começava a ganhar instabilidade, que o projeto da reeleição começava a dar sinais de que poderia ruir, como acabou ruindo efetivamente na reta de chegada, quando os indecisos migraram, em parte expressiva, para o candidato oposicionista. Como revelou eleição anterior para prefeito, o eleitor que vota governo se manifesta claramente. Quem não vota governista, seguramente por razões de estratégia pessoal, particularmente em eleições municipais, em que a sombra do poder parece pairar sobre a cabeça dos munícipes.
O primeiro sinal de instabilidade eleitoral, que se traduziu na primeira captação da aderência Wagner/Lula, sinalizando a onda que mudou a história desta eleição, deu-se em um município do Extremo-Sul da Bahia. A menos de 15 dias da eleição, esse fenômeno foi observado em um segundo município, já na região polarizada por Ilhéus e Itabuna. Esse segundo caso sinalizava de que poderiam existir outros mais. Nesses dois municípios pesquisados, o quadro inverteu-se totalmente. Wagner com aproximadamente 42% e Paulo Souto, com pouco menos de 30%.
Mesmo nesses dois municípios, com o quadro já invertido, continuava alto o percentual de indecisos, exceto para presidente. Nos demais municípios em que foi possível fazer aferição, a situação mantinha-se com Paulo Souto liderando, com aproximadamente 42% contra 31% de Wagner e isto se manteve até aproximadamente pouco mais de uma semana da eleição. Em praticamente todos eles, mantinha-se como uma nuvem carregada, no horizonte, o percentual relativamente alto de indecisos. E esse era o dado que conspirava silenciosamente contra Paulo Souto, atual governador. Esse dado era o enigma, portador da resposta das urnas.
O percentual de indecisos estranhamente alto, dada a proximidade da eleição, suscitava inquietações, gerava insegurança na análise. Como decifrá-lo? O aprendizado da eleição anterior para prefeito foi de que quando isso acontece, é mau presságio para o detentor do poder. Desde o primeiro sinal de virada, portanto, a questão consistia em saber se se estava diante de casos isolados ou, na iminência de uma virada. Deu a virada, com a onda Lula/Wagner.
Naquela conjuntura, dois fatos recomendavam cautela na interpretação dos sinais de instabilização do quadro eleitoral, pelo menos no meu caso particular: não dispor de pesquisas mais amplas, estaduais. As evidências poderiam ser casos isolados. As pesquisas realizadas situavam-se próximas de Itabuna e Ilhéus. O segundo fator deveu-se a que, até então, a avaliação do governo Paulo Souto tendia ao positivo. Isto sugeria que o desfecho poderia ser diferente ao que sucedeu aos prefeitos que, às vésperas da eleição, se depararam com o enigma representado por um alto percentual de indecisos ou indiferentes.
Na eleição para prefeito, na reta de chegada, os eleitores não se distribuíram proporcionalmente à cota que cada postulante possuía, mas migraram em massa para a candidatura que melhor encarnava ama alternativa ao prefeito. No presente caso, Paulo Souto conseguiria reter ou retardar ao máximo uma onda iminente que poderia não apenas levar ao Segundo Turno, mas decidir contra ele já no Primeiro, uma vez que só havia duas candidaturas viáveis na disputa?
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