10 outubro 2006

Uma interpretação da virada eleitoral na Bahia*

A força dos indecisos

Agenor Gasparetto*

Cada eleição é única, singular. Não há um padrão para eleições, como não há um padrão para a história de uma comunidade ou para a biografia de um indivíduo. Tudo é singular, único. A explicação que vale para o Rio Grande do Sul não vale para Minas e essa também não vale para a Bahia ou para o Ceará. Em cada caso, é preciso buscar os elementos e circunstâncias que, no contexto específico, tem maior poder explicativo.

Nesta eleição de 2006, a Bahia parece que surpreendeu a muitos. Contudo, será que surpreendeu ao eleitor baiano? Aqui, tentar-se-á apresentar uma hipótese que pretende tornar um pouco mais claro o que sucedeu nesta eleição para o governo da Bahia.

A explicação tem como âncora principal um fato relevante e, ao mesmo tempo, estranho nesta eleição: o alto percentual de indecisos e/ou indiferentes, mesmo a pouco mais de uma semana da eleição, com exceção da eleição para Presidente. Para os demais cargos em disputa, a chave explicativa do que aconteceu parece estar no alto contingente de indecisos. E eles decidiram. A propósito, ver tabelas em anexo. Em Itabuna e Ilhéus, por exemplo, a pouco mais de uma semana da eleição, o percentual situava-se próximo dos 20%. O esperado, naquele período da campanha eleitoral, é que o patamar estivesse em um dígito, como a eleição presidencial apresentava.

Diante disso, a questão inquietante incidia na interpretação desse fato. Esse alto percentual tornava imprevisível qualquer prognóstico. Prenunciava potencial surpresa.

Se o contingente de indecisos estava alto próximo da eleição o era muito mais semanas antes. Até o final de agosto, porém, mesmo com esse dado, não havia nenhum sinal de mudança do quadro eleitoral. Paulo Souto parecia imbatível. O que dava mais consistência a essa intuição é como o eleitor avaliava a sua administração. Em meu entendimento, esse é um marco estrutural em uma disputa eleitoral. Nesse quesito, o governo Paulo Souto estava com avaliação tendendo ao positivo.

Esse fato parecia cimentar um quadro de estabilidade eleitoral, posicionando-o bem na disputa. Não que não tivessem sido observados, para prefeito municipal, por exemplo, casos de prefeitos com administração bem avaliada e mesmo assim derrotados. Ter uma boa avaliação é uma condição necessária, mas não suficiente para se reeleger. No entanto, na Bahia, não parecia ser esse o quadro até o final de agosto.

Agenor Gasparetto é sociólogo e dirige a Sócio-Estatística, empresa de pesquisa de opinião pública.

PS: Resolvemos dividir o artigo em três postagem para facilitar a sua leitura.

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