04 agosto 2007

Fernando Morais e o livro de ACM

Nhenhenhém
Jorge Bastos Moreno, de Brasília

P - ACM dizia que o senhor só estava esperando ele morrer para poder publicar o livro. Era verdade?
R - Não, não era verdade. Ele dizia isso sempre, mas meu plano era publicar o livro com ACM vivo. O que eu nunca quis foi publicá-lo com o senador ativo.

P - Quantas horas de depoimentos gravados?
R - Estamos ficando velhos. Hoje em dia essas coisas não se contam mais em horas, mas em bytes. Tenho cerca de 2,5 gigabytes gravados com ele, mas, como isso está compactado em mp3, não sei calcular quantas horas de gravação estão armazenadas no meu computador.

P - Ele revela muita coisa nesse depoimento?
R - Na verdade é uma sucessão de depoimentos, alguns gravados em jornadas de até três dias de trabalho. Sim, são depoimentos muito ricos – secos, sem gorduras ou adjetivos. Mas, além disso, não se esqueça de que ele liberou para mim, sem censura, as célebres pastas de seu arquivo pessoal. Creio que digitalizei o conteúdo de mais de cem pastas com documentos que ele acumulou ao longo de 50 anos de poder, de JK a Lula. Para um livro, é uma arca cheia de ouro.

P - Ele fala mal de muita gente?
R - De muita gente. Mal e bem também.

Nitroglicerina e acarajé

P - ACM tinha uma vida pessoal intensa. O livro vai entrar na intimidade dele?
R - Combinei com o senador, no nosso primeiro encontro, que eu publicaria tudo o que conseguisse apurar – com ele ou com outros depoentes – e que ele não leria os originais. Vou cumprir o prometido: publicarei tudo o que apurar, inclusive essa intensidade vital a que você se refere...

P - Esse livro deverá sair quando?
R - Não sei. Mas deve ser o próximo, depois que eu terminar O Mago, a biografia do Paulo Coelho.

P - Quais outros projetos editoriais seus?
R - Esses dois anos e meio de dedicação à biografia do Paulo me afastaram da militância política. Pretendo voltar a ser, como disse o presidente Hugo Chávez, um “bateador de jonrones” (expressão do beisebol que equivale, no futebol, a “centroavante matador”) da Revolução Bolivariana no Brasil.

Um comentário:

  1. Sem dúvida, vai ser um dos livros mais sensacionais da história politica da Bahia e do Brasil. Vamos a ele, torcendo que não demore de chegar às livrarias.

    ResponderExcluir

Aos comentaristas, recomendamos:

- escrever nos limites das boas maneiras, sem 'pesar' a mão;

- ater-se ao assunto da nota;

- Não ofender a honra alheia. Isso os políticos já o fazem muito bem.