O governador Jaques Wagner e o secretário de Agricultura do estado, Geraldo Simões, tentaram ontem desfazer o mal-estar causado pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Renhold Stephanes que anunciou os planos do governo Lula em extinguir a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e gerar uma nova crise dos setores produtivos com o governo federal.
O governador, que chamou a Ceplac de “patrimônio do Brasil e da Bahia” nas áreas de pesquisa, manejo e extensão, destacou que na quarta-feira esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria lhe garantido a inexistência dessa proposta no governo federal.
O risco de desmantelamento da Ceplac foi levantado durante audiência da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado com o ministro Reinhold Stephanes e amplamente divulgado pelos órgãos oficiais de imprensa do Senado. A proposta seria a absorção da parte de pesquisa pela Embrapa, a transferência das escolas ao Ministério da Educação e a política do setor passaria a ser conduzida pele Ministério da Agricultura (Mapa).
O que existe – afirmou o governador, através da assessoria – é o PAC do Cacau, programa que o Mapa pretende lançar este ano, totalizando um investimento de R$2,4 bilhões em oito anos e a renegociação das dívidas do cacauicultor. Neste contexto, sustenta Wagner, o ministério quer adequar a instituição às novas diretrizes para a reorganização do setor do cacau.
O senador César Borges (DEM), que questionou o projeto de Stephanes para a Ceplac durante uma audiência da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Legislativo, afirmou que o ministro deixou implícito o propósito de acabar com o órgão, ao revelar a possibilidade de transferir setores do órgão para o Ministério da Educação (escolas), Embrapa (pesquisa e extensão) e o Mapa (política para o setor).
Para o senador, a proposta apresentada na comissão do Senado representará o fatiamento e a desidradatação da Ceplac. “Vai sobrar o quê da Ceplac? A sigla!”, disse. César reiterou que o ministro não fechou questão e que o fim da Ceplac está sendo estudado pelo ministro, que preferiu não debater a proposta com os senadores, falando mais no plano de investimento para a cacauicultura. O senador reiterou que a repercussão da participação de Stephanes foi registrada pelos repórtes de jornais e agências que acompanharam a sessão.
“A Ceplac não será desmantelada. Ao contrário. Desde o início do governo Lula, o órgão vem sendo fortalecido”, afirmou o secretário da Agricultura. Segundo Geraldo Simões, ele e o governador vêm acompanhando a revitalização do cacau. (Correio da Bahia)