“A análise mais profunda de uma crítica”
Gerson Menezespublixcriativo@hotmail.comOs mais elementares ensinamentos sobre o marketing nos ensinam que ele, quando bem utilizado, é um poderoso instrumento a serviço de produtos, imagens e idéias. Ensina também que esse instrumento se vale de inúmeras ferramentas que o auxiliam nas suas formulações e propostas. Que evolui observando as próprias mudanças das empresas e conceitos sócio-econômicos estabelecidos pela própria sociedade a quem é dirigido objetivamente.
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Faço esse preâmbulo como introdução para o aprofundamento de uma “crítica construtiva” que fiz há algum tempo atrás, aqui mesmo nesse espaço, com o título “Só para inglês ver”, acerca de uma peça publicitária veiculada pela CDL de Itabuna, como parte da campanha “Kacetada de prêmios”.
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Na reunião da última quinta-feira, 09 de agosto, da qual participei na condição de convidado, ouvi do diretor da agência responsável pela conta de marketing e propaganda da CDL uma “crítica” que mais me pareceu um desabafo, aproveitando-se talvez da minha presença no local, de que a peça objeto da crítica, fora selecionada preliminarmente pelo júri do Recall Bahia Interior, dentre as concorrentes na sua categoria, com a ressalva de que - quem a havia selecionado, eram pessoas deveras competentes e conhecedoras da publicidade moderna.
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Tendo entendido o “desabafo” como uma “contra-crítica”, mesmo tendo sido feita em momento inoportuno e local impróprio (já que poderia ter sido feita aqui nesse mesmo espaço), aproveito-me da oportunidade para aprofundar um pouco mais as críticas, valendo-me do “gancho modernidade”, criado figurativamente pelo diretor da referida agência de propaganda.
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Há cerca de vinte anos, a CDL de Itabuna inaugurava a era das “promoções de datas”, promovendo sorteios de automóveis e congêneres. De lá para cá, a cidade de Itabuna e, consequentemente o seu comércio, passou por muitas transformações estruturais e sócio-econômicas. A instalação do Shopping Jequitibá, a transformação da Rua Paulino Vieira e transversais em “shopping a céu aberto”, a mudança do foco comercial da Av. do Cinqüentenário, outrora considerada a passarela da moda.
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A crise do cacau, o surgimento de outras cidades que passaram a rivalizar com a nossa condição de pólo regional de comércio, a instalação aqui de vários estabelecimentos de ensino superior e, etc. Sem que as estratégias do marketing da CDL também tivessem se modernizado, acompanhando a essa nova visão do que se pode chamar de: - Comércio de Itabuna!
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Na mesma oportunidade, o referido diretor da agência da CDL fez um resumo do que ele chamou de “sucesso retumbante da campanha”, citando como ponto alto da mesma um desfile em caravana pelas ruas da cidade, dos prêmios que seriam sorteados - uma prática incipiente de marketing instintivo, que era adotada ( hoje não mais) pelos circos, quando chegavam às pequeninas cidades do interior, por não disporem à época de outros eficientes meios de comunicação.
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Falando-se em “modernidade”, seria de bom alvitre para o comércio itabunense se a mesma agência propusesse “ações mais modernas do marketing promocional”, que não aquelas que se repetem há mais de vinte anos, só trocando as “chamadas” (de gosto duvidoso e dúbio) por outras, que dessem uma nova identidade ao conceito de “comércio de Itabuna”, e que fossem comprovadamente capazes de diminuir a “curva acentuada de vendas” que se registram fora dos períodos naturais de compras tais como; Dia das Mães, Dia dos Namorados, São João, Dias dos Pais e Natal.
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Nestas datas são investidos esforços e recursos concentrados para a obtenção de resultados que não são comprovadamente compensatórios e remunerativos, o que se pode chamar de “custo benefício” em relação a um justificado aumento de vendas, além do já previsto, diante da capacidade instalada do nosso comércio.
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Aqui bem próximo a nós, na cidade de Santo Antônio de Jesus, o comércio instituiu um dia na semana (que não sei ao certo se na segunda ou na sexta) onde todos os estabelecimentos comerciais, em conjunto, realizam promoções, atraindo um grande número de compradores; consumidores diretos e revendedores, vindos de todas as cidades circunvizinhas e até de outras mais distantes.
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Modernidade do marketing não pode e não deve ser confundida com “ações modernosas de propaganda”, que mesmo sendo plasticamente bem concebidas ou copiadas, não atendem às necessidades de comunicação do cliente. Se essas peças ou campanhas levam a agência a ganhar prêmios, podem ai sim atender ao marketing promocional da mesma e à satisfação do ego profissional de quem as concebeu.
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Fica aqui mais um lembrete: - Na propaganda, dizem que nada se cria... tudo se copia – que se copie então o que for o melhor para atender as verdadeiras necessidades do cliente, que no final é quem paga a conta ou, a depender “o pato”, pela estratégia escolhida.
Gerson Menezes é publicitário e adora uma polêmica!