06 julho 2007

Lá e cá

Gerson Menezes

publixcriativo@hotmail.com

Observando o desenrolar da política em Ilhéus e Itabuna, fica patente que os dedos da mão são irmãos, mas não são iguais. Mesmo tão próximas, as duas cidades hoje têm modos diametralmente opostos de fazer e conduzir as disputas políticas.

Chego a imaginar que Ilhéus, nos seus 473 anos, atingiu uma evolução ou diria eu, uma involução nas formas e modos de comportamento dos seus políticos. No começo da historia, a Ilhéus dos coronéis resolvia as suas pendengas políticas na “boca do trabuco”. Vencia aquele que tivesse o maior número de jagunços.

Com o passar dos tempos, vieram as crises, os coronéis morreram, os filhos ficaram menos ricos e, finalmente, os netos ficaram paupérrimos e a política mudou de mãos e de rumos.

Aventureiros, bem ou mal intencionados, tomaram os destinos de Ilhéus, fazendo ser esquecida a máxima que ouvi de dona Conceição Lopes que refletia a verdadeira face dos São Jorge dos Ilhéus: - “Em Ilhéus, o visitante será sempre bem-vindo... Como visitante”.

Itabuna, filha-irmã de Ilhéus, porém muito mais nova nos seus quase 100 anos a serem completados, e, talvez por isso, sem ter atingido a maturidade política ilheense, queimou etapas do desenvolvimento. Não viveu como exemplo, tão intensamente, a era dourada dos coronéis. Não construiu tão solidamente as castas das famílias tradicionais. Abriu-se desde cedo aos aventureiros e por eles o seu desenvolvimento se deu.

Mas, voltando ao assunto do comparativo do exercício da política, tenho observado que em Ilhéus, como diria, não existem limites: - Honra pessoal, família, ideologias, interesses pessoais privados e públicos, se misturam de forma a quase não se poder perceber neles, os verdadeiros interesses do povo ilheense que verdadeiramente deveria permear todas as discussões no campo político.

Já em Itabuna, mesmo com as disputas acirradas, os adversários não ousam ultrapassar os limites das insinuações, que nem mesmo são levadas em consideração pelos eleitores, que castigam sempre impiedosamente com a rejeição aos que ousam ultrapassar estes limites imaginários do bom senso. Tenho observado, aqui mesmo neste espaço, nos comentários que são feitos, que em Ilhéus existe um quase “estado de beligerância” que raia os limites da inconseqüência.

Ouso fazer tais comentários por que amo Ilhéus com a mesma intensidade que Itabuna. Torço com a mesma vibração e comemoro com elas quando o povo de lá ou de cá conquista algo de bom. Sei que é também este o desejo de todos os que amam verdadeiramente as suas cidades.

Permitam-me que faça um apelo ao bom senso de todos os envolvidos nas disputas, que por serem políticas, não devem ultrapassar os limites das idéias e das proposições. E, mesmo sabendo quais são os meus limites “como um apaixonado visitante”, mesmo assim ouso fazê-lo.

Gerson Menezes é publicitário

3 comentários:

Unknown disse...

Tristes tempos os nossos!,... mas, nada que já não tenha sido vivenciado; Einsten na sua "Santa" ignorância afirmou: "É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito".

Uma das características mais marcantes deste Blog, de informação, ligados a Ilhéus e Itabuna é a livre publicação dos mais diversos assuntos e (importantíssimo) a critica realista dos fatos que ocorrem no seu dia a dia.

Gerson,

Suas crônicas sempre bem colocadas e argumentadas fazem pensar!

Na verdade, hoje, quem caminha pelas ruas das "Terras do Sem Fim" são os bisnetos daqueles velhos coronéis. A fila andou!,... avós ricos, filhos nobres, netos pobres, bisnetos ocos. Ocos de cultura, da história, de sinestesia; como, tais e quais, seus matutos bisavós, ignorantes, que desprovidos de cultura, não teen mais aquelas terrinhas devolutas para as invadirem; muitos estão trabalhando a terra como jardineiros de outros novos ricos e de alguns hotéis estrelados.

O que, radicalmente, distingue Itabuna de Ilhéus não é e nem nunca foi, ou será, a politica (não se esqueça que CUMA era tropeiro de ABDALA THEMER HABIB e foi alçado a secretário de finanças pelo maluco do Oduque); o que as distingue, indiscutivelmente, é a geografia.

A BR 101 colocou Itabuna numa situação de convergencia para toda a região cacaueira; e Ilhéus, coitadinha, a princesinha do sul, eleita foi a zona de lazer dessa mega região que se desenvolveu rapidamente. Para Vitória da conquista, terra do boi/café e suas adjacências, e o restante de toda a zona cacaueira, as praias de Ilhéus significavam (significam ainda) apenas área de lazer; foi e está esquecida para investimentos alem daquela velha e cômoda casa de praia - até hoje!

Politicamente somos um retrato de nos mesmos; más, o empobrecimento foi nossa pior tragédia, a introdução criminosa da vassoura na lavoura cacaueira trouxe-nos um grave efeito colateral - o "emburrecimento". Talvez, sob a ótica da razão, esse tenha sido o maior dano causado a 3.000.000 de pessoas durante a agonia e morte da lavoura cacaueira; esta "burrice/estupidez" nos foi imposto por asfixia econômica.

A politica, meu caro Gerson, correu atrás daquilo que eles (politicos) reconheceram como sua realidade; a ignorancia crescente e latente dos eleitores (olha o exemplo de Ilheusus). Pior, pode agravar!,... VAL DE RICO - ladrão e sem cultura - quer, e poderá, ser reeleito pelos cultissimos eleitores que o defendem à MÃO DE PACA, HAMIL, GERBSON, DEL PARAGUAY e outras importante e ilustres figuras.

É uma Pena!,... mas, Ilhéus vai demorar muito para decolar; olha o exemplo da escola Técnica, esta não deve sair das raias do sonho de alguns.

Abraços,

Debelarina Silveira Badaró

Anônimo disse...

Gerson Agradece a Debelarina Badaró.

Cara senhora,

Sou-lhe grato por enriquecer esta minha pensata. Agradeço sobretudo, pela coragem que não ousei ter, de dizer com a autoridade que só um "filho legítimo" possui, a verdadeira dor e vergonha que sente em ver a sua "terr-mãe" ser vilipendiada e ultrajada.
Qusera eu, que o sentimento expresso no seu comentário, fosse o traço de união a unir todos os verdadeiros filhos de Ilhéus e os uqe a verdadeiramente a amam, forjando em "forte liga" a esperança e a coragem de retomarem nas próprias mãos os detinos da sua cidade e de sua gente.

Muito obrigado,

Gerson Menezes

Unknown disse...

Obrigada Gerson!

você, me parece, faz parte de uma seleta turma; a turma do "penso logo existo". Tem muita gente ai que, desesperadamente, briga para estar na dos "possuo logo posso".

Meus respeitos,

Belinha Badaró
belinhabadar@yahoo.com.br