09 julho 2007

Uma história da imprensa

Por Gustavo Atallah Haun

Todos os povos que se têm notícia tentaram de alguma forma se comunicar. A comunicação é uma coisa intrínseca a vida social. Assim, temos desde tribos e clãs que transmitiam informações para os descendentes de forma oral, através de histórias, mitos, lendas, fábulas, aos aedos da Grécia antiga, assim como os trovadores medievos, além dos feiticeiros africanos.

O jornal mais antigo, no entanto, é datado de 59 a.C., o Acta Diurna, surgiu em Roma, através do imperador Júlio César. Desejando informar o público sobre os mais importantes acontecimentos sociais e políticos, ordenou que os eventos programados fossem divulgados nas principais cidades.

Os repórteres foram recrutados pelo Estado e se chamavam “actuarii”. Assim, foram penduradas enormes placas brancas e expostas em lugares públicos populares. As Actas mantinham o povo informado sobre escândalos no governo, campanhas militares, julgamentos, nascimentos e execuções ou obituários. Somente na China, em Pequim, no século VIII, surgiu o primeiro jornal escrito à mão, sob a forma de boletins, o Kaiyuan. Em 1040, os chineses inventaram também a imprensa usando blocos móveis de madeiras e os coreanos os tipos móveis, em 1392.

A maior difusão dos informativos só foi acontecer no Renascimento, com a invenção da prensa tipográfica por Gutenberg, em 1447. A partir daí, inaugurou-se a era do jornal moderno. Naquela época, vieram à tona os panfletos, os pasquins e os libelos. Entretanto, o papa Alexandre VI decreta, em 1501, que todo informativo tinha que passar por uma autoridade eclesiástica antes de ser impresso, para que se evitassem heresias e escândalos. O não cumprimento levaria a multa e excomunhão. Foi a primeira censura instituída que se tem notícia.

Em Veneza, no ano de 1556, o governo municipal resolveu publicar mensalmente o Notizie scritte, pelo qual os leitores pagavam uma “gazetta”, ou pequena moeda, surgindo dessa forma o tipo e o nome de uma das publicações mais comuns dos informativos.

Mas foi somente na primeira metade do século XVII que os jornais começaram a surgir como publicações periódicas. Essa forma moderna de informação principiou na Europa Ocidental, na Alemanha (Avisa Relation oder Zeiung, em 1609), Bélgica (Nieuwe Tijdingen, em 1616), França (Gazzette, em 1631), e a Inglaterra (The London Gazzette, em 1665). Porém, o jornal mais antigo do mundo ainda em circulação é o sueco Post-och Inrikes Tidningar, fundado em 1645.

O jornal só chega na América no ano de 1690. Foi em Boston, capital do estado de Massachussetts, que apareceu o Publick Occurrences, sendo tirado de circulação após o primeiro número, por receio das autoridades locais. Depois da invenção da litografia, em 1798, e do telégrafo, em 1844, as publicações ganham fôlego e conhecem a sua época de ouro. Tornaram-se a principal fonte e divulgação de informações do planeta.

Foi durante esses anos dourados que surgiram os barões da mídia, como William R. Hearst, Lorde Northcliffe e Joseph Pulitzer. Esses homens construíram um gigantesco império editorial e tornaram-se os mais influentes na indústria jornalística, famosos pelo jeito como exerciam seu poder.Tal predomínio escrito durou até a invenção do rádio, nos anos 20 do século passado, quando se imaginou que seria o fim dos informativos impressos.

Os jornais, para não sumirem do mapa, tiveram que se moldar às imposições da modernidade, renovando os formatos e conteúdos para ser mais ágil na divulgação das notícias, aumentando também o volume dos textos para oferecer uma cobertura mais aprofundada. Nos anos 40, quando estavam se adaptando com as novidades do rádio, viram-se novamente obrigados a se auto-avaliarem à luz de um novo e poderoso veículo de mídia: a televisão.

Apesar de todos os empecilhos, mantiveram-se firme, sem se tornarem obsoletos, respondendo aos avanços tecnológicos através do uso da cor e mediante artigos curtos, rápidos e objetivos, como as matérias oferecidas pela televisão. Dessa forma, os meios de comunicação impressos se mantêm até hoje, não como um objeto ultrapassado, como muitos pensam, mas sim como uma fonte a mais de se obter divulgações e informatividades. Numa soma saudável com a rica internet, o rádio e a TV, as palavras escritas continuam sendo uma forma popular e grandiosa na descrição e análise dos fenômenos que acontecem no mundo.

(Fontes de pesquisa: http://www.anj.org.br/ e http://lucajor.vilabol.uol.com.br/histdaimp2.htm).

Gustavo Atallah Haun é professor

Também publicado nos jornais Diário do Sul e Diário de Ilhéus.

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