10 julho 2007

Vinte e seis anos de mesmice

Gerson Menezes
publixcriativo@hotmail.com

Na gíria futebolística se diz que “em time que está ganhando não se mexe”. Na política, com a instituição da reeleição para o executivo, os prefeitos, governadores e o presidente da república ganharam a chance de permanecer por dois mandatos consecutivos se as suas primeiras administrações foram aprovadas pela população. No entanto, já está provado que a segunda administração é sempre caracterizada pela mesmice da primeira.

Agora, o que se deve dizer quando um mesmo estilo de administração permanece ao longo de 26 anos? Isto acontece em Itabuna. Por vinte e seis anos, os itabunenses só conheceram dois prefeitos; Fernando Gomes Oliveira e Geraldo de Oliveira Simões. Duas pessoas e um mesmo estilo de governar - ambos populistas. Irmãos siameses nas práticas políticas.

Itabuna, por ser uma cidade pólo regional, cresceu ou inchou nesse período. A periferia se expandiu e o centro da cidade se deteriorou. Sem saneamento básico, sem atendimento a saúde, sem emprego e sem educação de qualidade, os habitantes da periferia invadiram o centro comercial mostrando a fome e a desesperança estampadas na face.

É fácil entender as causas de tanto desespero da população. Basta ir à periferia abandonada de Itabuna. Periferia cansada de tantas promessas que se repetiram ao longo desses 26 anos em que esses dois nomes se sucederam no poder. Aliás, só poder parece ser o objetivo de ambos.

Com um orçamento anual de 240 milhões, é impossível acreditar que essas administrações continuem repetindo a balela de que a prefeitura está falida e que, por isso mesmo, sem a ajuda dos governos estadual e federal, nada pode ser feito em prol da população. O que faltou foi vontade política de fazer. Planejamento para executar. Equipes competentes para administrar e, sobretudo, seriedade na gestão da coisa pública. O caos tomou conta da cidade. O povo já não agüenta mais.

Fernando Gomes, por vontade própria ou por esperteza política, diz que não será mais candidato. Geraldo, no entanto, se diz candidato novamente a prefeito, mesmo tendo sido eleito com os votos majoritários dos itabunenses para representá-los na Câmara Federal, e ter abandonado, “oportunisticamente”, o mandato para vir a ser secretário do Governo do amigo Jaques Wagner.

Geraldo deixou Itabuna sem a sua representação no Congresso Nacional, a exemplo da que possui hoje a cidade de Ilhéus, através do mandato do deputado Raimundo Veloso, que tem se mostrado um defensor competente dos interesses do povo ilheense.

Chega de falsas promessas. Chega de iludir o povo. Itabuna quer e precisa de uma nova alternativa de governo, que seja compatível e competente com as suas necessidades éticas e administrativas. Uma geração de itabunenses tem vivido essa mesmice que a condenou ao retrocesso dentre as principais cidades da Bahia e até mesmo da nossa região.

Hoje é quase um slogan quando se diz: - Itabuna é a cidade do já teve! Salvo a tenacidade de alguns empresários teimosos, nada mais foi feito além de pinturas de pontes e escolas. E de meio-fio.

A hora de mudar é Agora. Tem que ser JÁ!

Gerson Menezes é publicitário

11 comentários:

Anônimo disse...

Geraldo e Fernando têm suas semelhanças. Ambos são populistas, carismáticos e fazem política com postura caciquista.

Porém, dizer que GS e Cuma são irmãos siameses é simplificar demasiadamente a análise.

Fernando é o político do pragmatismo. Desorganizado, atabalhoado, executa, mas não planeja. Geraldo, às vezes, planeja e não executa, mas tem seus méritos.

O petista teve a coragem de municipalizar a saúde, enfrentando todo o desgaste que isso provocou. E certamente teríamos um serviço de saúde pública bem melhor, se não fosse a gestão desastrada de Zé Henriquei.

Além disso, GS implantou equipamentos importantes, como Creadh, Cepron, Caps, unidades de PSF com infra-estrutura de qualidade. E trouxe o Samu e a Farmácia Popular.

Na educação, foi instituído o sistema por ciclos, dentro do projeto Escola Grapiúna. No social, programas como o Viva Maria fizeram tanto sucesso, que a atual gestão não encontrou jeito de desativá-los.

Outro diferencial de Geraldo é que em seu governo há muito mais gente comprometida com a realização de um trabalho sério. Claro que há os pilantras, como sempre, mas prevalecem as pessoas de bem.

Enfim, sempre será possível dizer que GS e FG têm muito mais em comum do que o Oliveira no sobrenome... Eles se igualam no que há de pior em cada um, mas no que se diferenciam, o petista ganha disparado.

Como a perfeição é algo fora do alcance do homem, pois só existe nas plenitudes celestiais, fiquemos com o possível imperfeito. Antes isso que embarcar em utopias e coroar novos lobos em pele de cordeiro.

Anônimo disse...

Se é pra mudar já, vote em Já-já...!!!

Anônimo disse...

Gerson a Gerônimo de Oxóssi:

Por ter sido um geraldista ferenho por muito tempo, sinto-me perfeitamente à cavalheiro para criticar o seu estilo de governar. Sinto que Geraldo não evoluiu político e administrativamente, enquanto a cidade cresceu, e sobretudo, ampliou os seus desafios. É justamente por isso, só por isso que acredito que é hora de mudar - Não só de nomes ou pessoas. Mas, e sobretudo de visão de governar Itabuna.

Anônimo disse...

Gerson, o seu texto é irretocável. Parabéns por tamanha lucidez.
Mas, gostaria de meter minha colher nesse caldeirão...
Nesses 26 anos de mandatos "aconchavados", Minha Pedinha e Fernando conseguiram inserir uma nova "cultura" aos eleitores de Itabuna. Através do populismo e de seus projetos poíticos-pessoais eles transformaram o democrático jogo eleitoral em um "bába" de apenas duas torcidas. É vergonhosa a situação da maioria grapiúna que, ainda hoje, não consegue enxergar um palmo a frente de seu nariz e ainda sustentam os “compromissos” desses dois oportunistas. Gente, eles apenas disputam quem, por mais quatro anos, será o “dono dos cheques da viúva”.

Anônimo disse...

Bel blog ;-) Ciao!

Anônimo disse...

Zelão Aplaude:

Caro Gerson, seria uma pena se ocê tivesse "morrido de mêdo" com as ameaças sofridas. Tamanha coragem em dizer as coisas que você pensa, me fazem aplaudir ocê.
Parabéns cara pela lucidez dos seus comentários!

Plac, Plac, Plac!

Anônimo disse...

Ainda bem q jamais fui geraldista, fernandista, ubaldista nem qualquer outro "ista". Quem segue homens acaba se arrependendo amargamente algum dia. Mais correto é perseguir idéias e ser fiel a princípios. É isso que nos falta e esta falta é a causa de todo o nosso sofrimento e atraso.

Anônimo disse...

Gerson Para Juca:

Caro Juca,

Como as idéias são geradas por homens, não vejo como admitindo-as, não venhamos a seguir o "líder" que as defende.
Seguí-las é também a forma válida de podermos analizá-las mais de perto. Com o passar do tempo, podemos ou não continuar seguindo-as - É o livre arbítrio!

Anônimo disse...

As idéias permanecem e os homens mudam a todo momento. Por isso, não merecem confiança.

Anônimo disse...

Quais as semelhanças do filho de Fernando, Marcos Gomes, com o filho de Geraldo Simões, Thiago Simões?
1 - Os dois não gostam de pagar ninguém.
2 - Os dois adoram bater nos outros com ajuda de puxa-sacos.
3 - Os dois não tem os sobrenomes famosos dos pais - Marcos Gomes- chama-se Markson Oliveira e Thiago Simões, chama-se Thiago de Oliveira.
4 - Os dois adoram colocar laranjas para desviar dinheiro da prefeitura e outros locais onde os papais estão "trabalhando".
5 - Os dois adoram uma carreira - mesmo a de cavalo.

E sabe qual a diferença?

Um está foragido, com prosão preventiva decretada, o outro ainda não...

Anônimo disse...

Ubaldo Dantas é um homem sério, delegava poderes e isso era um avanço. Não é possível compará-lo com as gestões sem planejamento e populistas de Fernando E Geraldo. Itabuna retrocedeu e muito. Foi passada por Conquista, está sendo passada por Juazeiro, e neste ritmo, estarpa sendo passada em breve por Jequié e Barreiras.
Ilhéus vive o mesmo dilema - Jabes, Valderico e outros populistas que só pensam naquilo - em voto e prestígio.
Tava na hora de sacudir essa cidade e espantar essas moscas varejeiras.