(Zelão, o Anatomista)
Se fosse um caso médico de irmãos nascidos biologicamente ligados um ao outro, gêmeos univitelinos, não seriam tão difíceis separar. Mas, em se tratando de política e de poder, é impossível poder separar ou até mesmo distinguir as “dessemelhanças” entre Fernando Gomes e Geraldo Simões, ambos “oliveira”. Ambos de origem humilde, no poder, milagrosamente se tornaram homens ricos, e hoje se acusam mutuamente.
Geraldo, ao longo da vida, assimilou todo o conteúdo populista de Fernando. Fernando absorveu o jeito tinhoso de Geraldo em usar as pessoas em proveito próprio e depois descartá-las - talvez nesse ponto, ambos tenham aprendido com Ubaldo Dantas. Com as mesmas características de genética política, ambos se tornaram ambiciosos pelo poder. E, diga-se de passagem, ambos buscam o poder maior.
Fernando, deputado federal por dois mandatos, um dia quis alçar vôos mais altos e não satisfeito em poder disputar o governo do Estado da Bahia, quis criar um estado novo, onde não teria que disputar com ninguém. Seria imperador, rei e governador, tudo ao mesmo tempo.
Geraldo, tendo aprendido a lição de que não se pode ser tão ambicioso assim, preferiu primeiro engatinhar sorrateiramente, para só depois dar o bote no Governo da Bahia. Para tanto, abriu mão do segundo mandato de deputado federal para o qual havia sido eleito (já que no primeiro nada fez pela região) para ficar pertinho do Governador Jacques Wagner, de quem sonha herdar a indicação no pleito de 2010, deixando Itabuna sem uma representação política, mesmo que medíocre, no Congresso Nacional.
Ligados umbilicalmente pela ambição do poder, jamais quiseram eleger sucessor. Até encenaram querer, à custa de incautos políticos como José Oduque e Renato Costa, que na realidade só serviram para “enfeitar o palanque” de lançamento das futuras campanhas de Fernando e Geraldo respectivamente.
Ao longo dos últimos 26 anos, Itabuna e o seu povo, só conheceram um único modelo de administração. Único, porque sai um, entra o outro e nada muda. Quando um está fora do poder municipal, ameaça voltar e promover uma devassa na administração do outro, e, assim provar os desmandos que foram cometidos. Eleitos, prevalece o pacto: - Eu não mexo no seu lixo e você não mexe no meu!
Para o pleito de 2008, Fernando ensaiou o teatrinho de não mais ser candidato. Geraldo protestou – afinal, não foi esse o acordo. Geraldo não poderia admitir que Fernando lhe tirasse o único discurso. A única bandeira eleitoral. Seria uma traição entre “irmãos”, deixá-lo entregue às feras novas, das quais não conhece nem mesmo o rugido.
Sabedor que o “irmãozinho” passava por grandes dificuldades (que não são financeiras particulares) de credibilidade política, por ter perdido os padrinhos e financiadores, Geraldo até providenciou uma mãozinha a título de financiamento para a execução de obras de infra-estrutura, que mesmo a “comissões módicas” pode gerar um tonificante nas contas de Fernando.
Fernando até recebeu elogios do Lula de quebra. Parece que deu certo. Fernando, diante das benesses recebidas, já pensa em retribuir e alicerçar o discurso do benemérito Geraldo Simões, se lançando candidato novamente, mesmo que seja para perder.
Embora todos nós, o povo itabunense, sejamos filhos da mesma mãe. Nos planos dos dois, somos tratados como “filhos da puta” que só servimos de degraus da escada por onde escalam suas ambições.
Zelão, falando sério... e grosso!