Cansou?
Daniel Thame
A mais recente pesquisa DataFolha, que mantém Lula com índices de aprovação nas alturas, demonstra que nem a crise aérea, que teve como ápice o acidente com o avião da TAM, provocou arranhões na popularidade do presidente.
Os analistas de plantão, que a cada crise vem prevendo o esfacelamento de Lula, ficam sem entender nada.
Afinal de contas, aquelas vaias na abertura dos Jogos Panamericanos não foram um indicio inequívoco de que acabou de vez a lula de mel entre Lula e a população?
E o acidente com o Airbus da TAM, “jogado” na cota do presidente mesmo com todos os indícios e posteriormente os dados técnicos apontando para falha do piloto e/ou do equipamento?
E o tal “Cansei”, movimento encabeçado pela elite reacionária de São Paulo, com seu “Fora Lula” e bordões de extrema-direita tipo “vagabundo”, “cachaceiro”, “ladrão”, apenas para ficarmos nos publicáveis?
Lula finalmente vai beijar a lona, apregoam os arautos do apocalipse. Não beija.
Ao contrário: apesar de todos os golpes, incluindo-se aí alguns golpes sujos, mantém-se firme no ringue, imune à pancadaria.
Desnorteados, os analistas atribuem a popularidade de Lula ao conformismo e ausência de indignação da maior parte dos brasileiros, aquela imensa parcela da população conhecida como “povo”.
Pois é justamente esse “povo”, manipulado durante décadas pela mídia, quem está satisfeito com a atuação do presidente. E, pelo jeito, devidamente vacinado contra a manipulação, a ponto de dar a devida importância ao exato tamanho das crises enfrentadas pelo governo.
O nível de emprego subiu, os salários tiveram aumento real, o acesso ao crédito e os bens de consumo aumentou, milhares de jovens têm acesso ao ensino superior e programas de transferência de renda (como o Bolsa Família) reduzem o vergonhoso quadro de exclusão social, que durante décadas foi uma das marcas desse país.
A vida é difícil, mas está melhor do que antes. É esse senso comum da esmagadora maioria dos brasileiros que explica a popularidade de Lula e não apenas carisma, que o presidente tem de sobra, mas é insuficiente para justificar, por si só, níveis de aprovação tão elevados.
A despeito de alguns casos graves de corrupção no governo, de problemas estruturais que emperram o desenvolvimento, das lambanças vez por outra cometidas por seus aliados e até da crise aérea que na verdade afeta uma ínfima parcela da população, o saldo do governo Lula é positivo especialmente naquilo que ele se propôs: melhorar a vida dos mais pobres, encurtar a distância estratosférica entre os poucos que tem quase tudo e os muitos que não tem quase nada.
Talvez seja isso que tanto incomode aqueles que, mesmo não tendo lá muitos motivos para reclamar, não dão trégua a Lula, devidamente respaldados pela mídia, sempre disposta a transformar qualquer ruído em barulho ensurdecedor quando se trata de tentar atingir o presidente. Caso típico desse movimento “Cansei” e seus manifestantes pingados engravatados com seus relógios rolex, carros blindados e outros apetrechos da elite exibicionista. É capaz de reunir mais gente em Miami do que qualquer cidade brasileira.
Pelo jeito, quem está cansado é o povo.
Não de Lula, mas daqueles que se julgam donos de todos os privilégios e se imaginam capazes de derrubar um presidente legitimamente eleito em dois pleitos consagradores, o segundo deles em meio aos ataques incessantes numa das maiores orquestrações da história recente desse país.
Cansado de ser feito de bobo, enfim!
Daniel Thame é jornalista
5 comentários:
Zelão Pro Daniel:
Segue a Resposta:
Gilberto Dimenstein
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07/08/2007
Você não cansou?
da Folha Online
Não consegui entender direito o clima um tanto histérico, nutrido pelo governo, contra o movimento batizado de "Cansei", apontado como um núcleo conspiratório; outros viram ali uma reação ideológica conservadora como se o governo Lula não tivesse apoio entre setores da chamada "direita".
Alguns se incomodam com o fato de gente mais rica protestar como se todos, numa democracia, não tivessem o direito legítimo de protestar. É um direito não correr risco voando num avião.
Talvez, quem sabe, aquele movimento se converta em algo como maior consistência (inclusive conspiratória, com o olho na sucessão presidencial). Mas, por enquanto, o "Cansei" padece de um problema: o cansaço. Não propôs nada de concreto, rigorosamente, apenas a irritação --e, por isso, o cansaço é estéril.
Mas quem não cansou de ver um país com tantas possibilidades, com tantos recursos, sofrendo com tanta pobreza e violência? Quem não se cansou de ver tanto dinheiro público desperdiçado e sermos obrigados a pagar tanto imposto?
O que seria injusto é culpar apenas Lula, mas também seria injusto isentá-lo de parte da responsabilidade, pois seu governo vem investindo menos do que poderia em obras de infra-estrutura, torrando dinheiro com funcionalismo.
Não é possível ser um brasileiro com um mínimo de responsabilidade sem estar cansado da diferença entre o que somos e o que poderíamos ser, devido à crônica incompetência pública.
Gilberto Dimenstein,
Lí com atenção a opinião do Daniel Thame,mas concordo com a opinião de Reinaldo Azevedo,em seu blog,hoje.
" Jornalismo, partido e governo reacionários.
Lula demorou 10 meses para intervir minimamente na crise aérea — e só o fez sob a pressão de 199 cadáveres — porque ele próprio e o PT sempre estiveram convictos de que isso é “problema de rico”. Chama-se “rico” no Brasil quem consegue ganhar R$ 3.800... Brutos! Editorial da Folha de ontem evidencia que, em números absolutos, há mais “pobres” (5,9 milhões) andando de avião do que “ricos” (5,6 milhões). Os que ficam no meio-termo seriam 3,3 milhões. Assim, em números absolutos, há mais desafortunados padecendo nos aeroportos do que nababos. Mas, claro, quando se vê esse número no conjunto dos pobres brasileiros, a questão se torna, digamos, socialmente irrelevante.
A pesquisa Datafolha evidenciando que a popularidade de Lula continua na mesma deu ao PT a certeza que o partido tanto procurava. Se tudo continua igual, esse papo de aeroporto não tem mesmo importância. É... Vocês sabem que dou de ombros se me chamam de “direitista”. A primeira coisa que pergunto é: “Quem está falando?” A “minha” direita combateu o nazifascismo e o comunismo. E a “esquerda” deles? A “minha” direita se opôs a dois regimes homicidas e só aceita o poder vindo das urnas. E a “esquerda” deles? Mas recuso a pecha de “reacionário”. Esta não!
Reacionário é o PT. Eis o partido que reage a qualquer tentativa de mudar o Brasil. E, se possível, quer fazê-lo andar para trás. Ora, se os miseráveis não se interessam pela eficiência do setor aéreo porque já estão se acostumando a ser massacrados — e o PT entra apenas com suas bolsinhas para dar uma aliviada —, tem-se por óbvio que a indústria da miséria é a base real do poder petista. Enquanto campear a pobreza, e o estado assistencialista garantir alguns caraminguás, o poder do PT estará devidamente garantindo.
Mas é só no extremo da miséria que ele atua? Não! Também no extremo da riqueza. Vejam o lucro recorde obtido por Bradesco e Itaú. Eu sou contra lucro bancário??? Eu não!!! Sou favorável. Acho o “lucro” o princípio da civilização; é o correspondente econômico da “morte do pai” na psicanálise. Se os bancos passarem a operar com spread menor, então, vou ficar ainda mais feliz. O que rejeito é a suposição petista — e de parte do jornalismo — de que seria esta a elite que ajuda a vaiar Lula. Não é. Esta elite ajuda a manter Lula no poder. E isso é fato, não é chute. O próprio Apedeuta já disse e, excepcionalmente, tem razão: os ricos — os de verdade, não os com salário de R$ 3.800 — nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo. Ele mesmo admite de que deveria estar sendo vaiado é pelos pobres.
O jornalismo ideológico ou pistoleiro, de posse da pesquisa do Datafolha, encarregou-se de espalhar a versão, urdida na madraçal petista, de que protesto contra Lula é “coisa de rico”. Dito assim, dá-se um endosso ao governo até aqui, que passa a ter, então, na administração da pobreza, o seu maior ativo eleitoral, num ciclo perpetuador da brutal desigualdade que há no país.
É quando o jornalismo reacionário dá as mãos a um partido reacionário para defender um governo reacionário. E, com efeito, a direita não pode se conformar com isso, certo?
Por Reinaldo Azevedo |
Amigos, essa parte do blog é para comentários, não para 'clipagem', o popular ctrl+c, ctrl+v.
Estes serão os últimos comentários aceitos com 'clipagem' de tamanho 'absurdo'.
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toscko,
como me parece que o blog é seu, você faz as regras. Mas no caso presente, como Daniel é jornalista do PT,creio que vale a "clipagem" de jornalistas independentes.
Mas,manda quem pode, obedece quem tem juizo.
Gonzalez
Gonzalez,
geralmente os blogs permitem comentários com um limite de mil toques (ou caracteres). Nós não limitamos, desde que o comentário não seja "clipagem".
Agora, o blog está aberto a publicar artigos, seja qual for a tendência política. Então, produza o seu e mande pra gente. Publicaremos com o maior prazer, pois conhecemos a qualidade dos teus textos e do seu trabalho. Sinta-se à vontade, amigo!
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