07 agosto 2007

OAB-BA censura professor por criticar advogados

A OAB-BA decidiu inquirir o professor (dos bons!) e articulista deste blog, Gustavo Atallah Haun, porque este, no seu livre, sagrado e garantido exercício de expressão se atreveu a criticar os maus advogados.

Os maus advogados, no caso, são aqueles do caso Suzane Von Richtofhen, em que orientaram e manipularam a cliente, acusada de matar os pais em São Paulo, e tentaram ludibriar repórter e a audiência do programa global Fantástico.

Gustavo critica o papel de advogados que deixaram de defender a justiça para defender o réu. Ele cita, ainda, caso de advogados pedófilos em Itabuna e de outro que roubava clientes, foi condenado pela justiça, mas continua advogando.

O ofício da 'inquisição' contra o professor é assinado pelo integrante da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-BA, Milton Jordão. Abaixo, a resposta de 'Gustavão' ao nobre advogado da OAB:

Itabuna (BA), 06 de agosto de 2007.

Prezado Sr. Milton Jordão,

Acabo de receber do jornal Diário do Sul, lotado em Itabuna, sul da Bahia,onde escrevo atualmente, um ofício expedido por esta casa, de número051/2007, a respeito do meu artigo intitulado "Um Viva à Suzanne", publicado anteriormente nos jornais Diário de Ilhéus, em 13 de abril de 2006, e noJornal Agora, de 29 a 02 de maio de 2006.

No referido ofício V.Sª. solicita prestar informações que entender cabíveis,no prazo de 15 dias. Ora, recebendo o ofício nesta manhã do dia 06 deagosto, ficou ultrapassado em quase um mês e meio a minha resposta, visto que a emissão do documento data de 26 de junho de 2007. Está aí a minha primeira resposta "cabível".

Depois desse adendo, gostaria de comunicar que o meu artigo foi publicado no auge da "confusão" Suzanne Von Richtofhen, advogados e imprensa, quando o programa Fantástico apresentou seus pretensos defensores, travestidos de diretores de Ética da OAB de São Paulo, manipulando a cliente (com oconsentimento dela, claro!), dirigindo-lhe ações, comandando-lhe palavras e ludibriando a todos, ou querendo isso pelo menos. Quanto a esse fato, V.Sª.há de convir que foram imensamente infelizes, para não dizer coisa pior.

Desde há muito, alguns - eu disse alguns, e não todos! - advogados deixaram de defender a JUSTIÇA para defender o RÉU. Sei que essa não é a filosofia dos cursos de bacharéis que existem à rodo no Brasil, muitos que inclusive não conseguem formar bacharéis competentes que possam ser aprovados nas próprias provas da OAB... Porém, a verdade e a justiça devem estar em primeiríssimo plano quando nos referimos à defesa de outrem.

Não foi o caso dos dois advogados em questão. Muito menos de um aqui em nossa cidade, acusado de pedofilia e preso no início do ano, também não foi com a recente prisão de outro advogado na porta do Fórum Rui Barbosa desse município, acusado de cobrar propina ao seu cliente. Também desses fatos a OAB-BA está querendo mostrar serviço e averiguando como deve? Ou só se unem quando querem salvaguardar a classe das críticas "cabíveis"?

No próprio artigo em questão, assinalo o seguinte no quarto parágrafo, e parece que não leram os interessados: "É CLARO QUE EXISTEM PROFISSIONAIS EXCELENTES, DIGNOS E HONESTOS", dessa forma, creio fazer justiça com os que não critico no meu texto. Se por acaso alguns dos seus pares se encaixam na opção correlata ao dos advogados do caso Von Richtofhen, não posso fazer nada, a imprensa é livre e resguarda o direito de informação, além das fontes (vide artigo V, inciso IX, da Constituição Federal). Entretanto, creio não ser essa a opção feita pelo senhor e por muitos dos seus colegas, que não tiveram sua honra ofendida, por não se coadunarem com as práticas vistas em rede nacional ou muitas vezes tão perto de nós.

Enfim, gostaria de saber dessa casa tão prestigiada se o fato de eu ser professor me atingem as tantas críticas que estão sujeitas a minha classe e a minha profissão? Sendo eu professor de escola particular e pública, vejo em todas as edições de jornais e revistas, críticas à educação nesse país. Nem por isso me arrepio e vou logo pré-julgando quem escreve. Se o ensino no Brasil é decadente, fraco e irresponsável, no que muitas vezes assino embaixo e confirmo, não me encaixo de forma alguma nesse perfil. Portanto não me ofendem tais questões, pois faço o meu trabalho do melhor jeito que posso e que fui instruído na Faculdade de Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz.

Cordialmente,

Gustavo Atallah Haun
Professor

Um comentário:

Anônimo disse...

Ao Sr. Gustavo Atallah Haun,
Parbenizo-o por sua matéria que reflete a verdade não somente do Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, sim Conselho, mas também de vários outros. Lamentável que a OAB não separe, e/ou entenda suas palavras.
Pedro Arnaldo Martins