24 abril 2008

Apertem os cintos, o padre sumiu!!!

Karol Vital

Imaginem a cena: um garotinho olhando para o alto, com o dedinho apontado para o céu e perguntando à mãe:

- Mãe, o que é aquilo? É um pássaro? Um avião? É o super-homem?

E a mãe respondendo:

- Não, filho, é um padre!

Pois é, a onda de religiosos alados não parou com a série americana, do início da década de 70, A noviça voadora. Na trama, a jovem atriz Sally Field interpretava a irmã Bertrille, que levantava vôo, quando uma ventania batia no chapelão aerodinâmico do seu hábito.

A nossa versão brasileira é ‘estrelada’ pelo padre paranaense Adelir de Carli, que, no último domingo, tentou voar por 180 quilômetros, preso a balões coloridos. Mas, a aventura dele (a qual ainda não se sabe o final) seguiu um caminho totalmente diferente da noviça voadora. Ao invés de salvar pessoas, ele é que está precisando de amparo.

Está certo que se trata de uma situação lastimável, envolvendo um ser humano, com família, amigos e um sonho. Mas a história não deixa de ser cômica. Ainda mais quando se escuta as últimas conversas dele pelo celular:

- Alguém tem que me ensinar como se usa o GPS – solicitou o padre.

Gente, como é que alguém em sã consciência, amarra-se a balões de gás hélio, prepara-se para uma viagem de 20 horas e não sabe manusear um GPS? Desculpe-me pela franqueza, mas eu caí na risada. Parecia cena de alguma comédia protagonizada pelo Leslie Nielsen. Eu já imagino uma adaptação, com o grisalho narigudo, interpretando o sacerdote.

E o padre voador ainda teve o disparate de amparar a aventura dele na fidelidade de Deus, declarando que sua fé no Altíssimo o livraria de qualquer mal. Mas ele esqueceu de uma parte das Sagradas escrituras que diz: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Isso pode ser lido em Mateus, quando Satanás manda Jesus se jogar de um precipício para ser amparado por anjos.

Não estou condenando o padre aventureiro, mas é que todo o desdobramento de sua aventura está sendo tragicômico. Antes de ser enveredar pelos ares, disse desejar quebrar um recorde e estar chamando atenção para a Pastoral Rodoviária, que apóia caminhoneiros.

Infelizmente, todos os olhos se voltaram para o ar e, depois, para o mar.

Realmente, o padre voador conseguiu chamar a atenção de todo o Brasil e também da Marinha, Força Aérea, emissoras de televisão, sites... Quem sabe o padre Carli não está na ilha de Lost? Espero que se saia melhor que o Rodrigo Santoro.

Karol Vital é comunicóloga.

14 comentários:

Luiz Conceição disse...

A jovem comunicóloga poderia ter guardado o seu humor negro para outra hora. De médico e louco todos temos um pouco.

O malogro da aventura do simplório padre não deveria ser para riso e sim para reflexão. Afinal a sua desaventurada idéia pode lhe ter custado o bem mais sagardo aos olhos de Deus: a vida.

Pena que a pretexto de contar o sarro com a loucura (?) do sacerdote, a moça tenha exagerado na dose.

Pobre comunicação midiática onde o descarte da vida merece troça. Menos, menos...

Anônimo disse...

Karol, não vou mentir. Eu ri também. O padre era corajoso ou doido, caso contrário não entraria numa dessa. De lascar foi a repórter que o advertiu antes e ele respondeu que sabia o que estava fazendo. Uma hora dessa a mulher tá repetindo, como aquele motoqueiro chato do desenho animado: 'Eu te disse, eu te disse..."

Ricardo Ribeiro

Gustavo Felicíssimo disse...

Isso se parece muito mais com um conto bizarro que com um fato participante da vida (i)real.

Anônimo disse...

essa da ilha de lost a nobre comunicóloga viu no kibeloco.com.br

Anônimo disse...

Muito bom seu artigo, Karol. Infelizmente, alguns abobalhados irão achar que vc está fazendo humor negro, mas as suas palavras estão certas.

Anônimo disse...

Lula, meu filho,

ele sabia o que estava fazendo!

Anônimo disse...

É, esse padre não era tão santo. De "simplório" não tinha muita coisa. Foi expulso da escola de vôo livre com a fama de arrogante, irresponsável e exibicionista. Essa não é a primeira vez que ele mobiliza o socorro. Para se aparecer numa matéria de tv do Paraná, ele fez um vôo fora das coordenadas e acabou preso num barranco. Mobilizou o resgate, bombeiros e um monte de dinheiro público gasto para salvá-lo. Quanto custa para fazer um helicóptero levantar vôo? O quanto a família dele está preocupada? Pura vaidade do padre.

Themis Julio disse...

Nos limites da lei qualquer um pode fazer o que quiser de sua vida.

O padre Adelir de Carli tinha lá seus sonhos de aventura: o de voar , o primeiro Padre Voador. Será que não?

O padre Adelir de Carli juntou seu tesão com o trabalho. Se, de circo precisam as gentes para que notem as ações da igreja, então, circo elas terão. Amarrou-se a balões de festa e juntou multidões em sua pregação. O padre Marcelo Rossi canta e dança. É mais seguro.

Valeu karol, bom texto

Anônimo disse...

Zelão, Diz:


Menina Karol. Sou seu fã de carterinha e, justo por o ser, acho no direito de discordar do seu texto, pelo enfoque que a ele foi dado. Você com a sua maneira fácil de escrever, fez troça com a insanidade do padre, que pode ter lhe custado a vida.
Menina karol, sei que você não concorda com a mídia sensacionalista, que no afã de vender, não respeita a vida ou a honra das pessoas.
Portanto, prefiro acreditar que você, como sempre faz nos seus srtigos, quiz tratar com humor um fato (assim com fizera antes no artigo sobre o assalto no ônibus). Só que desta vez não foi a sua própria vida que está em jogo.
Menina, não se perca. Eis uma ótima oportunidade para delim itar os seus rumos como comunicóloga.

marti disse...

Karol, não liga pra eles não, eles não sabem o que falam.

Um é carola e está tentando entrar pra o céu sem beber; mas não resiste.

E o outro é um bom sujeito, que gostaria de ser comunicólogo/psicólogo/jornalista.

Ah, a carteirinha que ele disse que demonstra ser seu fã, é a do PTdoG que ele guarda até hoje desde 1992.

Não liga não. Continue assim mesmo.

Vida Amor e Riso

Anônimo disse...

Zelão, para Karol:

Assim como na vida e na arte, as críticas e os aplausos, devem merecer o mesmo peso na avaliação dos resultados.
Aplaudir, mesmo que falsamente, é mais fácil do que correr os riscos de criticar, mesmo que honestamente.
A opção é sua!

Jullyana disse...

Olá, li o seu artigo e adorei.
Temos liberdade de expressão. E coitado ou não o padre foi um inconsequente. Não há dúvida. Se morreu entrou pro hall das mortes mais estúpidas e com certeza muito imprudente.
Fiquei com pena, lógico! Mas a ignorância foi tanta que com pena ou não, eu tb achei engraçado!

Anônimo disse...

Dispensável o artigo!

Aline Mororó disse...

Pobre Padre, esqueceu das várias leis, a de Deus, da gravidade e a de Murphy.
Mas por falar em versículo, acho que ele pautou sua viagem em:

"Os passos dos homens são dirigidos pelo Senhor; como pode o homem entender seu caminho?" Proverbios 20: 24.

Assim, para quê GPS não é mesmo?

Boa Karol!!