05 fevereiro 2007

Empresário estão mais fortes na Câmara

O poder econômico está mais presente na Câmara dos Deputados empossada nesta quinta-feira do que nos últimos quatro anos. O número de deputados que possuem propriedade rural em produção ou participação societária em empresas aumentou de 145 para 170, em relação à legislatura passada . São agora um em cada três.

O levantamento do Valor considerou a declaração patrimonial feita pelos candidatos ao TSE e a auto-definição profissional dos que concorreram. Foram desconsideradas as participações em empresas de consultoria e a propriedade de terra nua.

As consequências deste aumento são claras. Segundo o consultor do DIAP, Antonio Augusto de Queiroz, que divulgou logo após a eleição o levantamento "Radiografia do Novo Congresso", tomando como base a declaração de profissão dos parlamentares e chegando a conclusões análogas, deverá haver uma maior pressão no Legislativo em favor da agenda patronal.

É exatamente o que pretende fazer, por exemplo, o deputado Walter Ihoshi (PFL-SP), que estréia em mandatos eletivos. Ihoshi é dono da Shizen, uma indústria que produz tinturas capilares. O pefelista atua no sindicato da indústria de cosméticos e perfumaria do Estado e é ligado à Associação Comercial de São Paulo.

Bancada evangélica retraiu

As razões para o aumento da bancada empresarial são díficeis de definir. A sucessão de escândalos que abalou a Legislatura passada, afetando a reeleição de muitos parlamentares listados como sanguessugas e mensaleiros, pode ter colaborado para o aumento de deputados com atividade empresarial. "Houve uma retração de outros grupos que atuam na mesma faixa partidária, como o dos evangélicos, por exemplo, e isto abriu espaço para a bancada empresarial", comentou Queiroz.


Dos grandes partidos, o PFL é o com maior contingente empresarial . Tomando como base a bancada eleita pelo partido, 39 dos seus 65 eleitos são pessoas de negócio, ou 60% do total. As transformações passadas pelo PT nos últimos anos alteraram pouco o perfil de sua bancada.

Os sindicalistas ainda predominam e o número de deputados com alguma atividade empresarial é residual: foram apenas quatro dos 81 eleitos. Entre os pequenos partidos mais expressivos, PC do B e P-SOL são os únicos que não elegeram nenhum empresário.

Valor Econômico, Hoje

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