28 março 2008

De pai para filho (ou mulher) desde 1910

Allah Góes*

A expressão que dá título
a este artigo, além de ser uma referência ao ano da emancipação política de Itabuna, também sempre serviu para exprimir respeito, tradição e confiabilidade, sendo muito utilizada tanto no comércio como na indústria. Quem não sabe que se “toma” sorvetes, sempre maravilhosos, na tradicional Danúbio Azul? Ou que sempre se terá o “mate com limão” do Café Pomar, e isto há mais de 40 anos?

Mas a expressão, que tão bem funciona no comércio e na indústria, quando transportada para a política, ao invés de exprimir a mesma confiabilidade, tradição e respeito, passa mesmo é a idéia de retrocesso, imposição e totalitarismo, pois reverte o processo democrático que deve sempre existir no jogo político, transformando-o em algo imperial.

Normalmente a história tende a punir aqueles que, desviando-se do caminho democrático, tentam impor, como se ainda estivéssemos no tempo da “eleição a bico de pena”, um seu parente como candidato, principalmente quando este nunca exerceu qualquer função pública, vide o ocorrido na eleição de 2004 na cidade de Lauro de Freitas.

Naquela cidade, o ainda hoje deputado federal João Leão, mesmo dispondo de nomes como o do deputado estadual Roberto Muniz entre os correligionários do PP, impôs como candidato o seu dileto filho, Cacá Leão, e isto sob a alegação de que: “seria melhor para a cidade tê-lo em Brasília como deputado conseguindo os recursos, e em Lauro de Freitas alguém de sua confiança como prefeito”.

Esta inusitada situação foi muito bem explorada pela oposição, onde se expôs à população sobre “quem de fato iria ser o prefeito”, e o resultado não poderia ser outro. A dinastia dos Leões foi defenestrada e se elegeu prefeita Moema Gramacho do PT.

Agora por aqui, o secretário Geraldo Simões, mais “guloso que Leão”, quer ser prefeito, secretário e deputado, e tenta impor o nome de sua esposa (que já recebeu o epíteto de Imperatriz Juçara I), como candidata à prefeita, o que tende a transmutar o processo de escolha do candidato petista, que sempre foi democrático, em algo imperial e caricato.

Não acredito neste movimento do hoje secretário estadual de Agricultura, pois ladino e inteligente como é, além de ter conhecimento do exemplo acima citado, já de muito sabe que esta história de “transferência de votos” não existe, principalmente em Itabuna, onde os filhos e parentes de ex-prefeitos nunca conseguiram um lugar ao sol.

O que pretende o pré-candidato Geraldo Simões com o lançamento do “Projeto Juçara” é, tanto aliviar a pressão exercida pelos “Partidos da Base Aliada”, que muito cobiçam a Seagri e o querem o mais rápido possível longe dela, como evitar o desgaste de ser o único pré-candidato que já foi prefeito, ou seja, o único com “telhado de vidro”.

Allah Góes é Advogado Municipalista. E-Mail allah_goes@hotmail.com

2 comentários:

Anônimo disse...

Geraldo quer ser o Imperador do Sul da Bahia.

PACMAN disse...

Minha Pedinha quer mesmo é ser o PACMEN, aquele q papa tudo...
Com toda a certeza, Jussara é apenas cortina de fumaça, o candidato é ele mesmo - Probre e infeliz Itabuna