23 março 2007

Trocou-se um que nada fazia por outro que nada faz!

Gerson Menezes
publixcriativo@hotmail.com

Ilhéus é a minha segunda cidade-mãe depois de Itabuna. Em Ilhéus nasceram minha mãe e avó. Em Ilhéus, nasceu, e lá conheci, a minha querida esposa e companheira há 32 anos. Em Ilhéus, nasceram e lá foram registrados nossos dois amados filhos. Em Ilhéus, plantei e colho até hoje os frutos das boas amizades.

Como se tudo isto não bastasse, Ilhéus é o meu sonho de morada no final da vida e, hoje, é onde passo meus melhores momentos de lazer. Por tudo, me sinto à vontade para tecer alguns comentários quanto ao futuro político de Ilhéus.

A crise econômica, gerada pela quase falência da lavoura cacaueira, parece que afetou Ilhéus com mais força. Da tradicionalista e influente elite ilheense, pouco ou quase nada restou. Premidos pela necessidade, aqueles que formavam a massa crítica do pensamento político passaram, na sua maioria, à condição de meros coadjuvantes de novos grupos políticos.

O ápice da questão aconteceu justamente no último mandato de prefeito, conduzido por Jabes Ribeiro. A inépcia tomou conta da progressista Ilhéus. As míseras obras que foram executadas e, cujas inaugurações se repetiam exaustivamente na mídia dirigida pelo competente jornalista Valério de Magalhães, não foram suficientes para aplacar o clamor do povo que sentia na própria pele o desemprego, a diminuição populacional do município, a queda da arrecadação, o aumento da violência e, pior do que tudo a desesperança.

A outrora pujante e incontestável liderança de Jabes Ribeiro murchou e nem o seu bem articulado discurso foi capaz de estancar a sangria do seu prestígio político, previamente anunciado na eleição de prefeito em 2004, e retificada pela sua não eleição para a Assembléia Legislativa do Estado em 2006.

Do desencanto da população com o melancólico governo de Jabes, nasceu a falsa ilusão chamada Valderico Reis. Um bem sucedido empresário que “aportou em Ilhéus”, se transformou, por falta de uma opção melhor, na tábua de salvação. Mais de dois anos se passaram do “desgoverno” de Valderico. Homem de limitada cultura e de atitudes nem sempre recomendáveis, levou para o governo os mesmos vícios que, se geraram fortuna na vida empresarial, se mostraram incompatíveis na vida pública.

Acusado de diversas formas de má-gerência da coisa pública, o governo de Valderico, arrasta-se, por uma infindável troca de secretários, que, na verdade, por ele são vistos e tidos como seus “empregados”, a exemplo de como age nas suas empresas.

Ao se prenunciar o final melancólico do governo de Valderico, que não acreditamos terá a coragem de pleitear uma reeleição, o vácuo de liderança política permite o surgimento de nomes inexpressivos e, dentre eles, de aventureiros outros.

Nada nos leva a crer, até então, que Ilhéus seja premiada e redimida pelos castigos sofridos. Não existem projetos. Até “slogan” já foi apresentado – “Ilhéus nas mãos dos seus filhos”. Como se slogans vazios representassem atestado de capacidade ou substituísse um bom e exeqüível projeto de desenvolvimento para o município, que beneficiasse igualmente a todas as camadas da população ilheense.

Se não se cuidar, Ilhéus, correrá o sério risco de te trocar:

- Nada por coisa alguma!

Gerson Menezes é publicitário

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