A força dos indecisos III
Nesse contexto específico, a imagem de vencedor, com ampla vantagem, revelada por pesquisas, pela mídia e pela propaganda eleitoral, mostrando-a exaustivamente poderia contribuir para sustentar uma situação que estava sendo corroída rápida e silenciosamente. Os resultados, porém, mostraram que a onda foi avassaladora. Wagner conseguiu aderir à sua candidatura à imagem de Lula e venceu já no Primeiro Turno.
No entanto, havia uma outra possibilidade teórica. O desfecho não foi uma necessidade lógica do efeito Lula e a referida aderência a ele de Wagner. O desfecho resultou de um conjunto de circunstâncias. Essa outra perspectiva de desfecho reforça a intuição do papel estratégico representado pela administração, que é, seguramente, o pano de fundo da discussão do problema da reeleição de governantes.
Em municípios em que os prefeitos, governistas, apresentavam um bom desempenho, a situação não foi afetada pela onda Lula. Wagner e João Durval, vitoriosos na Bahia e em grande parte dos seus 417 municípios, não conseguiram se impor nesses municípios, como Itajuípe e Firmino Alves, por exemplo. Contudo, onde a avaliação da administração local tendia ao negativo, a onda Lula/Wagner foi arrasadora. Infere-se que somente municípios com administrações locais com avaliação tendendo fortemente ao positivo não foram surpreendidos pela mudança dos ventos eleitorais. A mudança precisou de terreno fértil e não há melhor terreno do que eleitores que percebem que seus prefeitos amam mais a si mesmos e aos seus do que ao bem comum e ao conjunto da comunidade de que são parte.
Em municípios em que há uma boa sintonia entre governantes e população, os candidatos a deputado, mesmo estranhos à terra, colheram generosamente e colheu também com fartura o candidato a senador apoiado por esses prefeitos. As tabelas abaixo ilustram esse fato. Portanto, olhando bem de perto os dados, a decisão passa sempre pelo filtro local. E ainda não consegui encontrar melhor interpretação para a perda do poder do que aquela que Aléxis de Tocqueville deu, no distante ano de 1848, analisando os meandros do poder e seu exercício na sua França revolucionária da primeira metade do Século XIX e final do anterior.
*Sociólogo
Nenhum comentário:
Postar um comentário