23 fevereiro 2008

TV: sensacionalismo e política

ANTONIO MATEUS DE CARVALHO SOARES

É lamentável as estratégias utilizadas para elevar a audiência nos programas jornalísticos da TV baiana, assuntos de grande relevância social são transmitidos de forma sarcástica e com apresentadores caricatos que vulgarizam o papel informativo dos telejornais e utilizam o sensacionalismo da miséria como foco da elevação da audiência, quando não distribuem prêmios em dinheiro, apresentam pessoas em situação de enfermidade e de múltiplas carências em uma total invasão “consentida” da vida íntima, que capturam os telespectadores, sobretudo aqueles de menor grau de instrução, e os tornam cativos e defensores desses programas.

A lógica de persuasão adotada por estes apresentadores é carismática e populista, figurandoos como legítimos “pai dos pobres”. O discurso que legitima estes programas como agentes defensores da voz do povo é muito próximo do discurso da gestão da pobreza, que em sua essência não objetiva eliminá-la, mas gerencia a exclusão social através de dispositivos ideológicos que capturam a população carente e manipula seus desejos e escolhas.
(...)

TRECHO DE ARTIGO PUBLICADO HOJE EM A TARDE

2 comentários:

Anônimo disse...

Zelão, Comenta:

O sensacionalismo na TV,que usa e abusa da igenuidade, e analfabetismo gerados pela pobreza, pariu filhotes desavergonhados, que querem fazer carreira na política.
Isso deveria ser considerado crime pela lei de imprensa.

Anônimo disse...

O sociólogo põe o dedo em uma ferida que não está circunscrita à Bahia. Na verdade, a televisão brasileira usa e abusa da exploração da pobreza e das carências do povo para aumentar sua audiência sem nenhum escrúpulo e pudor. Urge uma guinada ética por parte de tais meios de comunicação, nem que seja pela ação coercitiva do poder público.